Setor critica barreiras da União Europeia e vê protecionismo contra o agro brasileiro
Presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirma que novas exigências ambientais da União Europeia são barreiras estruturadas para travar exportações do agro brasileiro.

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, classificou as novas exigências da União Europeia como um protecionismo “estruturado para atrapalhar nossas exportações e o setor”.[1] Para ele, o bloco europeu usa o discurso ambiental para erguer barreiras contra produtos do agro brasileiro, com potencial de afetar receitas, investimentos e competitividade do país no comércio global.[1]
O que aconteceu
Em entrevista ao Canal Rural, Tirso Meirelles afirmou que as regras europeias contra desmatamento e emissões de carbono funcionam, na prática, como barreiras não tarifárias direcionadas ao Brasil.[1] Segundo ele, o agro brasileiro é competitivo em produtividade e custo, e isso incomoda concorrentes europeus, que tentam compensar a desvantagem usando critérios ambientais mais rígidos.
O dirigente destacou que o setor já vem adotando boas práticas, com parte relevante da produção ocorrendo em áreas consolidadas e sob o Código Florestal.[1] Mesmo assim, as exigências da UE tendem a elevar custo, burocracia e risco de perda de mercados, sobretudo em cadeias como soja, carne bovina, açúcar, etanol e café.
Meirelles também criticou a forma unilateral das normas europeias, cobrando maior diálogo e reconhecimento de sistemas brasileiros de monitoramento e rastreabilidade, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ferramentas de controle de desmatamento na Amazônia e no Cerrado.[1]
Por que importa para o agro
As novas barreiras da UE podem restringir o acesso de produtores brasileiros a um dos principais mercados importadores de alimentos e matérias-primas agrícolas do mundo.[1] Isso afeta diretamente exportadores de commodities e, de forma indireta, cooperativas, frigoríficos, tradings e a indústria de insumos que gira em torno do campo.
Para o produtor, o risco é duplo: perder mercado ou ter de arcar com mais exigências de rastreabilidade, certificações e auditorias ambientais, muitas vezes sem remuneração equivalente no preço. O temor do setor é que, sob o argumento ambiental, a Europa dificulte a entrada de produtos brasileiros enquanto protege seus agricultores com subsídios internos.
Dados e contexto
A União Europeia é um dos maiores destinos do agro brasileiro, ao lado de China e Estados Unidos. Segundo dados de comércio exterior, o bloco compra volumes relevantes de soja, carnes, açúcar, café, suco de laranja e etanol do Brasil.[1] A nova legislação antidesmatamento da UE prevê restrição a produtos associados a áreas desmatadas após determinada data de corte, exigindo comprovação detalhada da origem.
O Brasil costuma destacar que grande parte da produção agrícola ocorre fora de áreas de vegetação nativa e que o país preserva parcela expressiva de seu território, sobretudo em biomas como Amazônia e Cerrado, com base em regras como o Código Florestal. Instituições como Embrapa e órgãos de monitoramento por satélite acompanham uso e cobertura da terra, o que o setor rural defende que deveria ser considerado em qualquer acordo.
O debate também ocorre em meio à tentativa de avanço do acordo Mercosul–União Europeia, travado, entre outros motivos, por cláusulas ambientais adicionais propostas pelos europeus. Lideranças do agro argumentam que, enquanto o Brasil cumpre metas de produtividade e clima, a UE mantém altos subsídios agrícolas internos, distorcendo a concorrência global.
O que observar daqui pra frente
O produtor deve acompanhar a implementação das regras europeias, os ajustes em cadeias exportadoras e as negociações diplomáticas entre Brasil, Mercosul e UE. A capacidade do país em comprovar rastreabilidade, reduzir risco de desmatamento e fortalecer sua imagem ambiental pode definir se as novas exigências virarão oportunidade de diferenciação ou perda de espaço para concorrentes em outros mercados.
Fontes
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