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Setor de carne bovina quer transição para voltar a exportar à UE

Indústria de carne bovina pressiona governo por período de transição para retomar vendas à União Europeia a partir de 2027.

20 de setembro de 2026 4 min de leitura
Setor de carne bovina quer transição para voltar a exportar à UE

O setor de carne bovina brasileira espera que a União Europeia volte a autorizar o Brasil a exportar para o bloco no primeiro semestre de 2027 e quer que o governo negocie um período de transição para antecipar a retomada das vendas. A discussão gira em torno das novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, que hoje bloqueiam o envio de carne bovina brasileira ao mercado europeu.[1][3]

O que aconteceu

A partir de 3 de setembro de 2026, a União Europeia suspendeu as importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil, após a entrada em vigor de um regulamento que exige comprovação de produção livre de determinados antimicrobianos em todo o ciclo de vida dos animais.[3][7][13]

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o setor não espera solução ainda em 2026, mas trabalha para que o Brasil volte à lista de países habilitados a exportar carne bovina à UE em 2027. A estimativa é de retomada do fluxo comercial no primeiro semestre de 2027, condicionada ao reconhecimento, pelo bloco, dos controles sanitários brasileiros.[1][3]

Após o veto europeu, o governo brasileiro chegou a propor um período de transição, pedido também pela indústria, mas a proposta foi rejeitada pela UE. Agora, a estratégia é retomar a negociação de uma transição que permita exportar antes da conclusão de um ciclo completo de produção bovina, que leva cerca de dois anos do nascimento ao abate.[3][7][13]

Por que importa para o agro

A União Europeia é um dos principais mercados para a carne bovina brasileira em valor. Em 2025, as exportações de produtos de origem animal para o bloco somaram cerca de US$ 190 milhões, dos quais aproximadamente 90% eram carne bovina, tornando o segmento o mais afetado pela suspensão.[4][5][6] A interrupção prolongada pressiona margens da indústria e pode alterar a estratégia de confinamento, abate e venda de animais.

Para o produtor, o fechamento da UE reduz opções de destino de carne de maior valor agregado, concentrando ainda mais a dependência de mercados como China e Oriente Médio. Isso pode afetar prêmios pagos por boi rastreado e sistemas que investem em controle sanitário mais rígido, além de aumentar a necessidade de adequação às novas exigências de rastreabilidade e uso de medicamentos, acompanhadas por órgãos como o MAPA e auditadas externamente pela UE.[1][6][7]

Dados e contexto

Antes da suspensão, a UE figurava entre os três maiores compradores da carne bovina brasileira em valor, com cerca de US$ 450 milhões em um semestre recente e crescimento superior a 50% em valor sobre o mesmo período anterior.[5][6]

A nova regra europeia, prevista no Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, exige comprovação documental de que o rebanho destinado ao bloco não recebeu determinados antimicrobianos desde o nascimento até o abate. Esse ciclo leva cerca de 24 meses, o que explica a projeção de dois anos para adequação plena.[1][3][7]

O governo brasileiro vem adotando medidas como:

  • proibição de grupos específicos de antimicrobianos na produção animal voltada à UE;
  • reforço das regras de controle e rastreabilidade do rebanho;
  • construção de protocolo oficial para certificar o cumprimento das exigências europeias.[7][13]
Sem a União Europeia, estimativas indicam perda potencial de quase US$ 2 bilhões por ano em exportações de carnes, considerando bovinos e outras proteínas, o que eleva a relevância da negociação para a balança comercial do agronegócio.[9]

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses serão decisivos para saber se o Brasil conseguirá ser relistado pela UE em 2027 e, principalmente, se haverá acordo para um período de transição que permita retomada parcial das exportações antes de um ciclo completo de produção. Produtores e indústrias devem acompanhar de perto as negociações conduzidas pelo MAPA com Bruxelas, os avanços em rastreabilidade e controle de antimicrobianos e possíveis mudanças regulatórias internas, que podem impor custos adicionais de adequação, mas também preservar o acesso a um mercado de alto valor.

Fontes

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