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Setor de fertilizantes acende alerta com dívidas e custo alto no campo

Indústria de fertilizantes alerta que endividamento rural e crédito caro já travam compras para a próxima safra, elevando o risco de queda no uso de adubos.

05 de setembro de 2026 4 min de leitura
Setor de fertilizantes acende alerta com dívidas e custo alto no campo

O setor de fertilizantes voltou a alertar para a combinação de endividamento rural elevado, crédito caro e custos de produção em alta, cenário que já começa a travar as compras de insumos para a próxima safra. A preocupação é que a redução no uso de adubos comprometa a produtividade, em um momento em que o Brasil depende de altas safras para manter exportações e renda no campo.

O que aconteceu

Entidades ligadas à indústria de fertilizantes afirmam que muitos produtores estão atrasando ou reduzindo os pedidos para a nova safra por falta de fôlego financeiro e dificuldade de renegociar dívidas. A combinação de juros altos, preços de commodities mais baixos e margens apertadas vem limitando a capacidade de pagamento e elevando a inadimplência.

Representantes do setor defendem um pacote de medidas para aliviar o custo do produtor e destravar crédito, com foco em renegociação de dívidas rurais, ampliação de linhas de financiamento e desoneração de insumos estratégicos. A avaliação é que, sem ações rápidas, a queda nas entregas de fertilizantes pode ser de dois dígitos em algumas regiões e culturas, com impacto direto na produção futura.

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Por que importa para o agro

Fertilizante é insumo-chave para manter produtividade elevada, especialmente em solos já intensamente cultivados. Se o produtor corta dose ou adia aplicação por falta de caixa, o risco é colher menos justamente quando a renda está apertada, o que pode agravar ainda mais a situação financeira das fazendas.

Além disso, a retração na compra de fertilizantes afeta toda a cadeia: misturadoras, revendas, transporte e serviços financeiros atrelados ao trade de insumos. Esse movimento tende a deixar o crédito mais seletivo, com bancos e tradings mais cautelosos, elevando garantias exigidas e custo financeiro, o que pressiona ainda mais o produtor.

Dados e contexto

Nos últimos anos, o Brasil ficou mais exposto a choques de custo de fertilizantes por depender de importações superiores a 80% do consumo interno, segundo dados da Embrapa e do MAPA. Guerras e sanções elevaram a volatilidade dos preços internacionais, afetando diretamente o custo do pacote tecnológico no país.

Relatórios de mercado apontam que as entregas de fertilizantes ao produtor podem cair em torno de 8% a 10% em comparação a recordes recentes, puxadas pela combinação de preço ainda elevado e restrição de crédito. Bancos e consultorias citam a inadimplência recorde no crédito rural e o aumento de pedidos de recuperação judicial no agro, o que torna o financiamento mais caro e seletivo.

Dados do Banco Central indicam avanço da taxa de inadimplência nas operações de crédito rural, o que reforça a percepção de risco por parte das instituições financeiras. Ao mesmo tempo, levantamentos da Conab e do IBGE mostram que o país vem colhendo safras grandes, mas com margens comprimidas pela queda nas cotações de grãos e pelo custo elevado de insumos como fertilizantes e diesel.

Esse quadro tem sido descrito por analistas e entidades como uma “armadilha da dívida”: o produtor produz mais, mas não gera caixa suficiente para honrar compromissos, mantendo ou até ampliando o endividamento. Sem um ajuste no custo financeiro e na estrutura de crédito, a tendência é de postergação de investimentos em adubação, calagem e correção de solo, com risco de perda de produtividade.

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses serão decisivos para saber se haverá renegociação em escala de dívidas rurais e reforço de linhas de crédito oficiais, em especial para custeio e barter com fertilizantes. Produtores precisam acompanhar de perto programas de alongamento de passivos, mudanças em juros subsidiados e eventuais medidas de desoneração de insumos, avaliando com rigor o retorno de cada real investido em adubação para não comprometer a produtividade e evitar um ciclo de queda de produção e renda.

Fontes

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