Setor de fertilizantes pede subsídio bilionário e pressiona governo
Indústria de fertilizantes pede R$ 2 bilhões em subvenção emergencial por 3 meses para evitar corte de produção e alta forte nos custos do agro.

A indústria de fertilizantes negocia com o governo federal uma subvenção emergencial de cerca de R$ 2 bilhões, válida por três meses, para bancar parte do custo do enxofre e do ácido sulfúrico usados em fertilizantes fosfatados. O objetivo é segurar preços ao produtor rural e evitar paralisação de fábricas em plena safra, com risco de reflexo direto na oferta e no preço de grãos e carnes.
O que aconteceu
Entidades do setor apresentaram ao governo uma proposta de programa emergencial para subsidiar a importação de enxofre e ácido sulfúrico, matérias-primas essenciais para a produção de fertilizantes fosfatados no país. A conta estima um gasto de até R$ 2 bilhões em três meses, suficiente, segundo a indústria, para manter o insumo disponível a valores considerados viáveis para o agro.
As conversas ocorrem em uma espécie de "sala de situação" que reúne Ministério da Agricultura (MAPA), Minas e Energia, Casa Civil e Fazenda. A área econômica ainda não bateu o martelo sobre o formato nem se haverá Medida Provisória específica, mas a pressão é grande porque parte das fábricas trabalha no limite com estoques de insumos importados.
O pedido de emergência se soma ao ambiente de incentivos de médio e longo prazo, como o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), já aprovado no Congresso, que prevê até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas, expansão e modernização da capacidade nacional a partir de 2027.
Por que importa para o agro
Fertilizante representa de 30% a 40% do custo de produção em culturas como soja e milho, segundo estudos da Embrapa e da Conab. Quando o preço de insumos como o enxofre dispara, o produtor sente direto na margem, seja em maior desembolso na próxima compra, seja em redução de adubação, com impacto em produtividade.
Sem algum tipo de amortecedor no curto prazo, o risco é a indústria reduzir ritmo ou até paralisar linhas de fosfatados, encarecendo ainda mais o adubo num momento em que muitos produtores já comprometeram caixa com plantio e estão alavancados em crédito rural. Isso pode apertar especialmente médios e pequenos, que têm menor poder de barganha na compra de insumos.
Dados e contexto
O Brasil depende de importação para mais de 80% do consumo de fertilizantes, em linha com dados de MAPA e ANDA, o que torna o país sensível a choques de preço e logística. Em crises recentes, como a guerra na Ucrânia, esse grau de dependência já trouxe volatilidade forte para o custo de produção.
A proposta em discussão é subsidiar uma parcela da alta do enxofre acima de um determinado patamar de referência internacional. Em debates paralelos no setor, fala‑se em cobrir grande parte da parcela do preço acima de algo em torno de US$ 500 por tonelada, com o apoio diminuindo automaticamente se as cotações recuarem, para limitar o custo fiscal.
Enquanto isso, o Profert, aprovado pelo Senado, abre espaço para incentivo de longo prazo. O desenho discutido no Congresso prevê uso de créditos fiscais federais para financiar até R$ 10 bilhões em investimentos na indústria de fertilizantes em cinco anos, com limite anual de cerca de R$ 2 bilhões. A ideia é reduzir a dependência externa e ampliar a oferta interna de adubos.
Em paralelo, o governo já anunciou um Plano Safra robusto, com mais de R$ 500 bilhões em crédito rural, o que aumenta a necessidade de previsibilidade no custo de insumos. A combinação de crédito farto, mas adubo caro e instável, reduz a efetividade do financiamento para manter a rentabilidade do produtor.
O que observar daqui pra frente
O produtor deve acompanhar se o governo vai, de fato, liberar a subvenção emergencial e em que volume, além da regulamentação do Profert e eventuais linhas de crédito específicas para a indústria de fertilizantes via BNDES e bancos privados. A velocidade dessas decisões pode definir o patamar de preço dos adubos na próxima safra, influenciar o nível de adubação em campo e, na prática, determinar quanto da renda agrícola ficará com o produtor ou será consumida pelo custo de insumos.
Fontes
- Setor de fertilizantes pede R$ 2 bilhões ao governo | G1
- Senado aprova subsídios para novas fábricas de fertilizantes | O Globo
- Como subvenção de R$ 2 bi pode evitar prejuízo de até R$ 30 bi no agro | Forbes Agro
- g1.globo.com
- oglobo.globo.com
- boca.com.br
- www1.folha.uol.com.br
- ground.news
- youtube.com
- forbes.com.br
- eco.sapo.pt
- youtube.com
- g1.globo.com
- www12.senado.leg.br
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