Mercado

Sial China projeta US$ 455 milhões em negócios para proteína animal do Brasil

Missão brasileira na Sial China 2024 prevê US$ 455 milhões em negócios para carnes, reforçando o mercado asiático para aves e suínos.

20 de maio de 2026 4 min de leitura
Sial China projeta US$ 455 milhões em negócios para proteína animal do Brasil

A participação brasileira na Sial China 2024 deve render US$ 455 milhões em negócios futuros para o setor de proteína animal, segundo projeção da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado reforça a força do mercado chinês para aves, suínos e processados, abrindo espaço para novas plantas e maior agregação de valor às exportações.

O que aconteceu

A ABPA liderou uma missão de empresas brasileiras na Sial China, uma das maiores feiras de alimentos do mundo, realizada em Xangai. A entidade estima a geração de US$ 29,1 milhões em vendas imediatas durante o evento e mais US$ 455,1 milhões em embarques ao longo dos próximos 12 meses, decorrentes dos contatos com importadores.

Participaram companhias dos segmentos de carne de frango, suína, ovos e processados, com foco especial em produtos de maior valor agregado. A estratégia foi reforçar a imagem do Brasil como fornecedor confiável, diversificar portfólio e ampliar presença em canais de varejo e food service chineses.

O pavilhão brasileiro destacou também atributos de sanidade, rastreabilidade e segurança alimentar, pontos sensíveis para o governo e o consumidor chinês. A ação teve apoio da ApexBrasil, fortalecendo a agenda institucional e comercial com importadores e autoridades locais.

Por que importa para o agro

A China segue como principal destino das proteínas brasileiras, especialmente em suínos e bovinos, e uma vitrine relevante para cortes de frango e produtos industrializados. Projeções robustas de negócios na Sial indicam demanda firme e ajudam a sustentar preços ao produtor, mesmo em um cenário de custos ainda elevados de nutrição animal.

Para a cadeia de aves e suínos, os acordos fechados e prospectados na feira podem significar maior utilização de plantas frigoríficas, contratos mais longos e melhor previsibilidade de abate. Isso tende a apoiar decisões de investimento em genética, ambiência e manejo, além de puxar a demanda por milho e farelo de soja na base da cadeia.

Dados e contexto

  • Projeção da ABPA na Sial China 2024:
- US$ 29,1 milhões em negócios imediatos - US$ 455,1 milhões em negócios futuros (12 meses)
  • China é o maior comprador individual de carne suína e uma das maiores de carne de frango do Brasil.
  • Segundo a ABPA, o Brasil exportou em 2023 cerca de 5,14 milhões t de carne de frango e 1,22 milhão t de carne suína, com a Ásia respondendo pela maior fatia do destino.
  • Dados da Conab apontam que aves e suínos consomem mais da metade do milho e boa parte do farelo de soja usados em ração no país.
Indicador (2023)Valor aproximado*
Exportações de frango do Brasil (ABPA)5,14 milhões t

| Exportações de carne suína (ABPA) | 1,22 milhão t | | Participação da China nas exportações de suínos | uma das maiores, com liderança isolada |

*Valores arredondados com base em dados públicos da ABPA.

A presença forte na Sial também dialoga com as exigências crescentes do mercado chinês em sanidade animal, bem-estar e rastreabilidade. Embrapa e MAPA vêm ampliando pesquisas e controles sanitários, o que ajuda o Brasil a manter-se competitivo frente a concorrentes como EUA, União Europeia e países asiáticos.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar a evolução dos contratos originados na Sial China e eventuais novas habilitações de plantas pelo governo chinês, que podem ampliar capacidade exportadora. Também vale monitorar câmbio, custos de ração e possíveis mudanças sanitárias ou geopolíticas que afetem o apetite da China por proteína animal, abrindo espaço tanto para ajustes de produção quanto para ampliar a aposta em produtos de maior valor agregado.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo