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Soja recupera preços com alta no mercado internacional

Soja registra recuperação nas cotações, apoiada pela valorização externa, pelo câmbio e pela demanda, mas oferta recorde limita ganhos.

02 de outubro de 2026 3 min de leitura
Soja recupera preços com alta no mercado internacional

A soja apresentou recuperação nas cotações após um período de pressão sobre os preços. A valorização em Chicago, o comportamento do dólar e a demanda pelos derivados da oleaginosa ajudaram a sustentar o mercado. Para o produtor brasileiro, o movimento melhora as oportunidades de comercialização, mas não elimina os riscos de uma oferta elevada.

O que aconteceu

Os preços internacionais da soja avançaram, acompanhando a melhora das expectativas de demanda e o fortalecimento dos contratos futuros. Esse movimento também influenciou as negociações no Brasil, com reação nas cotações internas e maior firmeza em algumas praças.

A formação do preço doméstico combina a referência da Bolsa de Chicago, o câmbio, os prêmios nos portos e as condições regionais de oferta e demanda. Quando esses fatores atuam na mesma direção, a recuperação externa chega com mais força ao mercado brasileiro.

Apesar da alta, a disponibilidade de grãos continua grande. A colheita de uma safra recorde amplia a oferta no país e limita repasses mais intensos ao produtor. A valorização, portanto, ocorre em um ambiente de forte concorrência entre origens e estoques elevados no mercado global.

Por que importa para o agro

A melhora das cotações pode elevar a receita das propriedades que ainda têm soja disponível ou contratos a fixar. Também abre espaço para o produtor avaliar vendas parciais, reduzindo a exposição a novas quedas sem comprometer toda a produção.

Para cooperativas, tradings e indústrias, preços mais firmes afetam o custo de aquisição da matéria-prima e a margem de esmagamento. A demanda por farelo e óleo ajuda a sustentar o complexo da soja, mas fretes, prêmios portuários e câmbio continuam decisivos para o resultado final.

Dados e contexto

A Conab projeta produção brasileira de aproximadamente 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 5,2% sobre o ciclo anterior. A estimativa inclui crescimento de 2,7% na área plantada e de 2,5% na produtividade média.

As exportações brasileiras podem alcançar 116,2 milhões de toneladas, segundo o levantamento citado pela companhia. O volume reforça a importância da demanda externa, especialmente da China, para a formação dos preços nacionais.

No início de 2026, a Conab registrou queda de cerca de 7,2% na média dos preços nacionais entre a primeira e a última semana de janeiro. Naquele momento, a valorização internacional não compensava a retração do dólar e a pressão provocada pela oferta elevada.

Em Goiás, dados da Secretaria de Agricultura indicaram preço médio de R$ 150,15 por saca em agosto, após a soja acumular a quarta alta mensal consecutiva. O valor ficou 17,7% acima do registrado em abril, mostrando a recuperação regional ao longo do período.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar simultaneamente Chicago, dólar, prêmios nos portos, ritmo das exportações e compras chinesas. A alta pode criar oportunidades de fixação, mas uma desaceleração da demanda ou uma nova pressão de oferta pode inverter o movimento. Vendas escalonadas e controle do custo de armazenagem ajudam a reduzir o risco de concentração das decisões em um único momento.

Fontes

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