SRB cobra explicações sobre veto da União Europeia à carne brasileira
Sociedade Rural Brasileira pede esclarecimentos ao governo e à União Europeia sobre nova restrição sanitária que ameaça exportações de proteína animal.

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) pediu esclarecimentos ao governo federal e à União Europeia (UE) sobre o veto às exportações de carnes e produtos de origem animal do Brasil para o bloco, decidido com base em novas exigências sanitárias. A medida ameaça um dos principais mercados da proteína brasileira e acende alerta para impactos em preços, fluxo de exportações e imagem sanitária do país.
O que aconteceu
A União Europeia publicou nova lista de países habilitados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco e deixou o Brasil de fora após avaliar que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária.[2][4] O veto abrange animais vivos e produtos como carne, ovos, mel, peixes e aves, com início de vigência previsto para setembro.[2][4]
A SRB reagiu, cobrando explicações formais e maior transparência sobre os critérios usados pela UE e sobre a posição oficial do Brasil nas negociações.[6] A entidade argumenta que o país possui elevado padrão sanitário reconhecido por organismos internacionais e que o bloqueio pode não refletir a realidade dos sistemas de controle nacionais.[3][6]
A restrição está vinculada a regulamento europeu aprovado em 2019 e complementado em 2023, que exige dos países exportadores rastreabilidade e comprovação rígida do uso responsável de antimicrobianos em animais de produção.[6] A UE indicou, porém, que o Brasil pode voltar à lista se enviar as garantias solicitadas.[2]
Por que importa para o agro
A UE é um mercado estratégico para carnes e outros produtos de origem animal brasileiros, com maior agregação de valor e exigência de padrões sanitários e ambientais que servem de referência global. Um veto prolongado pressiona frigoríficos exportadores, encarece adaptações logísticas e pode desviar volumes para outros destinos a preços menores.
Para o produtor, o risco é de recuo na demanda da indústria e ajuste negativo nos preços pagos pela arroba, pelos suínos, aves, leite e outros segmentos ligados à proteína animal. Ao mesmo tempo, o episódio expõe a necessidade de comprovação documental e digital do uso de medicamentos veterinários, além de reforço na rastreabilidade, o que pode gerar custos adicionais, mas também abrir espaço para prêmios a quem se adequar mais rápido.
Dados e contexto
A UE vem apertando regras de importação de produtos agropecuários com foco em sanidade e uso de antimicrobianos, em linha com sua estratégia de redução de resistência a antibióticos.[2] O regulamento que embasa o veto foi aprovado em 2019 e detalhado em 2023, com foco em controle do uso de medicamentos em animais e na documentação enviada pelos países exportadores.[6]
Segundo dados oficiais de comércio exterior, o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina, suína e de frango, disputando liderança com países como Estados Unidos e Austrália em diferentes cortes e produtos. A UE, embora não seja o maior destino em volume, figura entre os principais em valor pago por tonelada, especialmente em carnes bovinas premium.
A pecuária brasileira é reconhecida internacionalmente pelo seu padrão sanitário, com status de país livre de febre aftosa com ou sem vacinação em grande parte do território, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA, antiga OIE).[3] Esse reconhecimento, porém, não substitui as exigências específicas de cada mercado, como as novas regras europeias para antibióticos.
A própria UE informou que a exclusão não é definitiva e que o Brasil poderá voltar à lista de exportadores habilitados quando comprovar, com documentação técnica, o atendimento integral às exigências de controle de antimicrobianos.[2] Isso coloca pressão sobre o Ministério da Agricultura e a cadeia produtiva para ajustar sistemas de monitoramento, registros de campo e comunicação com o bloco.
| Ponto-chave | Situação atual |
|---|---|
| Status do Brasil na lista da UE | País excluído da lista de carnes e produtos animais habilitados[2][4] |
| Motivo central | Falta de garantias sobre controle de antimicrobianos em animais de produção[2][6] |
| Início do veto | Previsto para setembro[2][4] |
| Possibilidade de retorno | Reintegração condicionada ao envio de novas garantias técnicas[2] |
O que observar daqui pra frente
Nos próximos meses, o setor deve acompanhar a resposta oficial do Ministério da Agricultura à UE, possíveis ajustes em programas de controle de antimicrobianos e eventuais acordos técnicos para reverter o veto. Produtores e indústrias que já registram e monitoram o uso de medicamentos podem ganhar vantagem competitiva se o mercado europeu exigir comprovações mais detalhadas, enquanto um atraso na adequação aumenta o risco de perda de participação e de queda nos preços internos.
Fontes
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