Sustentabilidade

Super El Niño aumenta risco de calor e pressão sobre reservatórios em São Paulo

Fenômeno pode elevar as temperaturas, alterar o regime de chuvas e dificultar a recuperação dos reservatórios paulistas, com reflexos no agro.

07 de outubro de 2026 3 min de leitura
Super El Niño aumenta risco de calor e pressão sobre reservatórios em São Paulo

A formação de um Super El Niño acende o alerta para ondas de calor, chuvas irregulares e maior pressão sobre os reservatórios de São Paulo. O fenômeno pode elevar a evaporação, aumentar o consumo de água e dificultar o planejamento da agricultura no estado.

O que aconteceu

O El Niño altera a circulação atmosférica ao aquecer as águas do Pacífico Equatorial. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região. São Paulo pode enfrentar temperaturas elevadas, períodos secos e precipitações mal distribuídas, mesmo quando o acumulado de chuva não fica muito abaixo da média.

A combinação entre calor intenso e intervalos sem chuva preocupa porque afeta a recuperação dos mananciais. O Sistema Cantareira, responsável por parte relevante do abastecimento da Grande São Paulo, fica especialmente exposto quando a estação chuvosa começa de forma irregular ou apresenta veranicos.

Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico indicam que o armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional chegou a 69,5% do volume útil em 26 de agosto de 2026, uma queda de 5,7% em relação a julho. O nível ainda era o segundo maior para a data desde 2015, mas a evolução depende da distribuição das chuvas nos meses seguintes.

Imagem

Por que importa para o agro

A agricultura paulista pode sofrer com atraso no plantio, falhas na emergência das lavouras e aumento da necessidade de irrigação. Café, cana-de-açúcar, citros, milho e hortaliças estão entre as cadeias que podem sentir os efeitos de temperaturas elevadas e umidade irregular no solo.

O calor também amplia o estresse térmico em rebanhos e pode reduzir o desempenho produtivo dos animais. Na cana, a falta de água durante fases sensíveis limita o crescimento; em culturas anuais, períodos secos após a semeadura elevam o risco de replantio e aumentam os custos operacionais.

Dados e contexto

A Embrapa aponta que São Paulo apresenta risco de temperaturas elevadas e precipitação irregular ou escassa em diferentes áreas do estado. Para o período de outubro a dezembro de 2026, a instituição projeta chuvas acima da média em São Paulo, mas a distribuição regional e temporal continua sendo decisiva para o produtor.

IndicadorInformação
Reservatórios do SIN69,5% do volume útil em 26 de agosto de 2026
Variação mensalQueda de 5,7% em relação a julho
Principal risco climáticoCalor intenso combinado com chuva irregular
Áreas mais vulneráveisNorte e oeste de São Paulo, além de regiões dependentes de irrigação

O padrão do El Niño não determina sozinho o clima de cada município. Frentes frias, sistemas de baixa pressão, temperatura do Atlântico e condições locais também influenciam a ocorrência de chuva e a recuperação dos mananciais.

O que observar daqui para frente

Produtores devem acompanhar os boletins do Inmet, do CPTEC/Inpe, da ANA e as previsões regionais antes de definir plantio, irrigação e aplicação de insumos. A manutenção de reservatórios na propriedade, o monitoramento da umidade do solo, o escalonamento da semeadura e a escolha de cultivares mais tolerantes ao calor reduzem a exposição ao risco. O cenário pode mudar rapidamente entre períodos secos e chuvas intensas, exigindo planejamento flexível.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo