Sustentabilidade

Super El Niño pode reduzir PIB da América Latina e pressionar o agro

Cepal estima que um Super El Niño extremo pode retirar 2% do PIB regional e levar até 4,8 milhões de pessoas à pobreza até o fim da década.

27 de setembro de 2026 3 min de leitura
Super El Niño pode reduzir PIB da América Latina e pressionar o agro

Um episódio extremo de El Niño pode retirar pelo menos 2% do PIB da América Latina e do Caribe em três anos e levar até 4,8 milhões de pessoas adicionais à pobreza até o fim da década. A projeção é da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão ligado à ONU. O fenômeno também ameaça produção agrícola, energia, pesca e abastecimento de alimentos.

O que aconteceu

A Cepal avaliou os efeitos econômicos de um El Niño de intensidade extrema. Segundo o estudo, metade da perda acumulada prevista no PIB ocorreria já no primeiro ano do fenômeno. A queda seria provocada por danos à produção, à infraestrutura, ao comércio e à renda das famílias.

O El Niño altera o padrão de temperatura do Oceano Pacífico e interfere na distribuição de chuvas. Na América Latina, os efeitos variam conforme a região: algumas áreas enfrentam seca e calor acima da média, enquanto outras registram chuvas intensas, enchentes e deslizamentos.

A Organização Meteorológica Mundial estima probabilidade elevada de ocorrência do fenômeno, com pico de intensidade esperado para o fim do ano. A duração e a força do evento serão decisivas para determinar o tamanho das perdas.

Por que importa para o agro

A irregularidade climática pode atrasar o plantio, reduzir o potencial produtivo e aumentar o risco de perdas na colheita. Milho, arroz e outras culturas de sequeiro ficam mais expostos à falta de chuva. Em regiões sujeitas a excesso hídrico, o problema pode ser o encharcamento do solo, a erosão e a dificuldade de acesso às lavouras.

No Brasil, os efeitos não são uniformes. O Sul pode receber mais chuva em determinados períodos, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar condições mais secas. A mudança no regime hídrico afeta também pastagens, disponibilidade de água, custos de irrigação, logística e geração de energia.

Dados e contexto

  • 2%: perda mínima estimada no PIB da América Latina e do Caribe em três anos.
  • 1%: impacto previsto somente no primeiro ano do evento extremo.
  • 4,8 milhões: pessoas que podem entrar na pobreza até o fim da década, em comparação com um cenário sem El Niño.
  • 70% a 80%: probabilidade estimada para o fenômeno, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
  • Agricultura: setor exposto a secas, enchentes, redução da produtividade e aumento dos custos de produção.
A FAO aponta que o El Niño costuma provocar chuva abaixo da média no norte da América do Sul entre junho e março. Na América Central, o Corredor Seco tende a enfrentar condições mais secas, com impacto sobre milho e outras culturas alimentares.

O choque climático pode ocorrer em um mercado já pressionado por custos de energia, transporte e insumos. Menor oferta agrícola tende a elevar preços, reduzir a renda do produtor e aumentar a vulnerabilidade de consumidores de baixa renda.

O que observar daqui para frente

Produtores e empresas devem acompanhar os boletins climáticos, revisar calendários de plantio e priorizar estratégias de conservação de água e solo. Também será necessário monitorar preços de grãos, disponibilidade de ração, custos de energia e condições de transporte. A intensidade regional das chuvas definirá onde estarão os principais riscos e possíveis oportunidades de mercado.

Fontes

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