Super El Niño pode reduzir PIB da América Latina e pressionar o agro
Cepal estima que um Super El Niño extremo pode retirar 2% do PIB regional e levar até 4,8 milhões de pessoas à pobreza até o fim da década.

Um episódio extremo de El Niño pode retirar pelo menos 2% do PIB da América Latina e do Caribe em três anos e levar até 4,8 milhões de pessoas adicionais à pobreza até o fim da década. A projeção é da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão ligado à ONU. O fenômeno também ameaça produção agrícola, energia, pesca e abastecimento de alimentos.
O que aconteceu
A Cepal avaliou os efeitos econômicos de um El Niño de intensidade extrema. Segundo o estudo, metade da perda acumulada prevista no PIB ocorreria já no primeiro ano do fenômeno. A queda seria provocada por danos à produção, à infraestrutura, ao comércio e à renda das famílias.
O El Niño altera o padrão de temperatura do Oceano Pacífico e interfere na distribuição de chuvas. Na América Latina, os efeitos variam conforme a região: algumas áreas enfrentam seca e calor acima da média, enquanto outras registram chuvas intensas, enchentes e deslizamentos.
A Organização Meteorológica Mundial estima probabilidade elevada de ocorrência do fenômeno, com pico de intensidade esperado para o fim do ano. A duração e a força do evento serão decisivas para determinar o tamanho das perdas.
Por que importa para o agro
A irregularidade climática pode atrasar o plantio, reduzir o potencial produtivo e aumentar o risco de perdas na colheita. Milho, arroz e outras culturas de sequeiro ficam mais expostos à falta de chuva. Em regiões sujeitas a excesso hídrico, o problema pode ser o encharcamento do solo, a erosão e a dificuldade de acesso às lavouras.
No Brasil, os efeitos não são uniformes. O Sul pode receber mais chuva em determinados períodos, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar condições mais secas. A mudança no regime hídrico afeta também pastagens, disponibilidade de água, custos de irrigação, logística e geração de energia.
Dados e contexto
- 2%: perda mínima estimada no PIB da América Latina e do Caribe em três anos.
- 1%: impacto previsto somente no primeiro ano do evento extremo.
- 4,8 milhões: pessoas que podem entrar na pobreza até o fim da década, em comparação com um cenário sem El Niño.
- 70% a 80%: probabilidade estimada para o fenômeno, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
- Agricultura: setor exposto a secas, enchentes, redução da produtividade e aumento dos custos de produção.
O choque climático pode ocorrer em um mercado já pressionado por custos de energia, transporte e insumos. Menor oferta agrícola tende a elevar preços, reduzir a renda do produtor e aumentar a vulnerabilidade de consumidores de baixa renda.
O que observar daqui para frente
Produtores e empresas devem acompanhar os boletins climáticos, revisar calendários de plantio e priorizar estratégias de conservação de água e solo. Também será necessário monitorar preços de grãos, disponibilidade de ração, custos de energia e condições de transporte. A intensidade regional das chuvas definirá onde estarão os principais riscos e possíveis oportunidades de mercado.
Fontes
- G1 – Comissão da ONU alerta sobre os efeitos de um Super El Niño
- Cepal – Impactos econômicos de um evento extremo de El Niño
- FAO – El Niño e seus impactos na América Latina
- FAO – Gestão dos impactos do El Niño
- fao.org
- fao.org
- ambito.com
- openknowledge.fao.org
- aljazeera.com
- bloomberglinea.com
- fao.org
- intellinews.com
- reuters.com
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- intellinews.com
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