Temporais com ventos de até 250 km/h destroem lavouras no Sul
Vendavais, granizo e tornados provocaram perdas em lavouras de soja, milho e tabaco, além de danos a estruturas rurais no Sul.
Vendavais, granizo e tornados atingiram áreas rurais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Os fenômenos destruíram lavouras de soja, milho e tabaco, além de causar danos em silos, pivôs, galpões, estradas e redes de energia. A dimensão total dos prejuízos ainda está em levantamento.
O que aconteceu
No Rio Grande do Sul, municípios do norte e do noroeste registraram lavouras danificadas por granizo e ventos intensos. Áreas de milho, soja e outras culturas foram atingidas, com relatos de perdas generalizadas e estruturas rurais destruídas.
Em Santa Catarina, a produção de tabaco sofreu prejuízos severos. Em alguns pontos, as perdas chegaram a 100%. O estado também registrou ventos superiores a 90 km/h, que derrubaram estruturas no aeroporto de Chapecó.
No Paraná, meteorologistas classificaram o fenômeno ocorrido em Maringá como tornado de categoria F2, com velocidades estimadas entre 180 km/h e 250 km/h. Produtores relataram destruição em áreas de soja, especialmente nas regiões atingidas diretamente pelo corredor do tornado.
Por que importa para o agro
O impacto varia conforme a cultura, o estágio de desenvolvimento e a intensidade do vento ou do granizo. Na soja, os danos podem incluir desfolhamento, quebra de hastes e destruição de vagens. No milho, o acamamento e a quebra do colmo dificultam a colheita e podem reduzir o rendimento por hectare.
Além da perda produtiva, o produtor enfrenta custos para retirar plantas danificadas, recuperar estruturas e replantar áreas quando ainda há janela agronômica. A interrupção de energia e os danos em estradas também podem atrasar pulverizações, transporte de grãos e entrega de insumos.
Dados e contexto
- Até 250 km/h: velocidade associada ao tornado registrado em Maringá, no Paraná.
- Até 100% de perda: prejuízo relatado em lavouras de tabaco de Santa Catarina.
- Mais de 90 km/h: velocidade dos ventos que danificaram estruturas em Chapecó.
- R$ 1,5 milhão: estimativa de prejuízo em uma área de 220 hectares de milho no Rio Grande do Sul, caso a perda seja total.
- 62 municípios: número de cidades gaúchas com ocorrências registradas em episódio de temporais no estado.
A Embrapa aponta que eventos de granizo e vento podem causar decapitação de plantas jovens, desfolhamento, quebra de hastes e destruição de flores, vagens e espigas. Em lavouras de soja, a referência técnica para perdas na colheita mecanizada é de até um saco de 60 kg por hectare, mas eventos extremos podem provocar prejuízos muito superiores.
O que observar daqui pra frente
Produtores devem registrar áreas afetadas com fotos, coordenadas e estimativas de produtividade, além de comunicar seguradoras, cooperativas e agentes financeiros. Também precisam acompanhar os levantamentos da Defesa Civil e da assistência técnica. A prioridade é avaliar o potencial de recuperação da lavoura, evitar operações em solo encharcado e revisar o calendário de replantio, colheita e contratação de crédito.
Fontes
Continue lendo
Produtor de tabaco poderá acompanhar classificação das folhas na propriedade
Nova medida amplia a transparência na classificação do tabaco e permite ao produtor acompanhar a avaliação das folhas dentro da própria propriedade.
Atualização de rebanhos começa em novembro e pode gerar multas
Produtores devem informar os animais existentes nas propriedades; o descumprimento pode bloquear a GTA e gerar multas administrativas.
Governo de São Paulo cobra mudanças na renegociação de dívidas rurais
Estado pede regras mais simples para ampliar o acesso de produtores endividados às linhas de renegociação rural.