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Tirso Meirelles critica veto da União Europeia e pede reação do Brasil

Presidente da Faesp chama decisão da União Europeia de protecionista e defende ações firmes do Brasil para proteger as exportações do agro.

11 de junho de 2026 4 min de leitura
Tirso Meirelles critica veto da União Europeia e pede reação do Brasil

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, criticou o veto da União Europeia a produtos agropecuários brasileiros, classificando a medida como protecionista e discriminatória.[6][8] Para ele, a decisão ameaça mercados estratégicos de carne, aves e outros itens, e exige resposta firme da diplomacia brasileira para evitar perdas ao agronegócio nacional.[6][8]

O que aconteceu

A União Europeia adotou novas restrições sanitárias que, na prática, barram parte das exportações brasileiras de proteína animal, sob argumento de preocupações com uso de antibióticos e padrões de produção.[6][8] O movimento ocorre em meio às discussões sobre o acordo Mercosul–União Europeia e a revisão de regras de comércio com países agrícolas competitivos.[7][9]

Tirso Meirelles afirma que o Brasil tem padrões sanitários reconhecidos internacionalmente e acusa o bloco europeu de mudar as regras para proteger seus produtores internos.[3][6][8] Ele também vê na medida uma tentativa de enfraquecer a competitividade do agro brasileiro justamente em segmentos onde o país é líder global, como carnes e derivados.[4][6][8]

Na avaliação de Meirelles, a UE utiliza temas sanitários e ambientais como barreiras não tarifárias, desconsiderando avanços de rastreabilidade, controle de resíduos e bem-estar animal adotados no país.[6][8] Ele pede alinhamento entre governo federal, estados e entidades do setor para contestar o veto em instâncias técnicas e comerciais internacionais.[6][8]

Por que importa para o agro

A decisão europeia atinge diretamente exportadores de carne bovina, aves, ovos, mel e outros produtos de origem animal, com risco de queda de receita, redirecionamento de cargas e pressão sobre preços internos.[4][6][8] Para frigoríficos, cooperativas e produtores integrados, qualquer interrupção de embarques para a UE afeta planejamento de produção, contratos e investimentos.

Para o produtor, o impacto vem na forma de maior dependência de outros mercados e possível aumento das exigências internas para manter acesso a destinos premium.[4][9] Se o Brasil não responder com agilidade técnica e política, o episódio pode abrir precedente para novas barreiras de natureza sanitária, ambiental ou climática contra o agro brasileiro.

Dados e contexto

A União Europeia é um dos principais compradores de proteínas brasileiras, especialmente em nichos de maior valor agregado.[4][9] O acordo Mercosul–UE, em vigor ou em negociação em diferentes etapas, prevê redução de tarifas e ampliação de cotas para diversos produtos agroalimentares.[7][9]

Em linhas gerais, o desenho recente das trocas tem sido descrito assim:[7][9]

Item do agro brasileiroSituação nas vendas para a UE
Café solúvel, óleos vegetais, frutas frescasAcesso ampliado, com tarifas reduzidas ou zeradas em alguns casos[7][9]
Carne bovina, aves, açúcarMais cotas, mas sob forte pressão política e regulatória europeia[7][9]
Produtos com alegações ambientais sensíveisAlvo preferencial de exigências extras e auditorias[7][9]

Segundo entidades do setor, o Brasil mantém sistemas de controle sanitário considerados de referência, com atuação de MAPA e defesas agropecuárias estaduais, além de programas de rastreabilidade e monitoramento de resíduos exigidos por importadores de alto padrão.[8] Meirelles argumenta que, se há dúvidas técnicas, elas deveriam ser tratadas em fóruns científicos, e não transformadas em barreiras comerciais disfarçadas.[3][8]

Em paralelo, produtores europeus têm pressionado seus governos contra a entrada de produtos do Mercosul, alegando concorrência desleal e diferenças de custo de produção.[9][10] Esse ambiente político reforça o uso de normas sanitárias e ambientais como instrumentos de defesa de mercado dentro do bloco.[8][10]

O que observar daqui pra frente

O agro brasileiro precisa acompanhar de perto a resposta oficial do governo, os desdobramentos nas negociações Mercosul–UE e eventuais revisões de listas de habilitação de plantas e produtos.[6][8][9] A capacidade do país de comprovar tecnicamente seus padrões, negociar prazos de adequação e diversificar destinos de exportação será decisiva para reduzir perdas imediatas e evitar que novas barreiras protecionistas se consolidem contra o produtor brasileiro.

Fontes

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