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Transporte aquaviário ganha força e amplia rota para o agro brasileiro

Balanço da Secretaria Nacional de Hidrovias mostra avanço do transporte aquaviário e reforça papel de rios e cabotagem na competitividade do agronegócio.

21 de maio de 2026 4 min de leitura
Transporte aquaviário ganha força e amplia rota para o agro brasileiro

O balanço apresentado pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, do Ministério de Portos e Aeroportos, mostra aumento no volume transportado por rios e na cabotagem em 2024. A expansão do modal aquaviário melhora a eficiência da logística brasileira, reduz custos de frete e amplia a capacidade de escoamento da safra, especialmente de grãos e farelos.

O que aconteceu

A Secretaria de Hidrovias apresentou os resultados do transporte aquaviário no último ano, com crescimento do fluxo de cargas em hidrovias interiores e na navegação de cabotagem. O avanço foi puxado por minério, grãos, combustíveis e contêineres, em rotas que ligam os principais polos produtores do Centro-Oeste e do Norte aos portos exportadores.

Segundo o ministério, mais corredores hidroviários passaram a operar com maior regularidade, com destaque para as bacias Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai-Paraná. O governo também apontou aumento na disponibilidade de embarcações e terminais especializados, resultado de investimentos públicos e privados em dragagem, sinalização e infraestrutura portuária.

O balanço indica ainda que o transporte aquaviário vem ganhando participação na matriz logística brasileira, historicamente dominada pelo rodoviário. Com isso, parte das cargas que antes seguiam por longas rotas de caminhão agora migram para barcaças e navios, em trajetos mais longos e com menor custo por tonelada.

Por que importa para o agro

Para o produtor rural, hidrovias mais ativas significam frete mais competitivo e maior previsibilidade na hora de vender a safra. A ampliação do transporte aquaviário reduz a dependência exclusiva de rodovias em épocas de pico de colheita, quando filas em portos e fretes elevados comprimem margens.

O uso intensivo de rios e cabotagem também dilui o risco de gargalos logísticos, principalmente no escoamento de soja, milho e farelo do Centro-Oeste para portos do Arco Norte e Sudeste. Isso tende a aproximar o preço recebido na fazenda das cotações nos portos e no mercado internacional, fortalecendo a competitividade do agro brasileiro frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina.

Dados e contexto

De acordo com o Ministério dos Transportes e o Ministério de Portos e Aeroportos, o modal hidroviário responde hoje por uma fatia ainda menor da matriz nacional em comparação ao rodoviário, mas vem crescendo de forma consistente. Estudos da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) apontam que o custo do transporte por hidrovia pode ser 30% a 40% menor do que o rodoviário em longas distâncias.

A Conab estima que o Brasil deve escoar mais de 300 milhões de toneladas de grãos por ano na próxima safra, o que pressiona a infraestrutura existente. A diversificação de modais é vista como condição para sustentar esse volume sem aumento excessivo de custos logísticos. Na visão do setor, hidrovias e cabotagem serão essenciais para dar vazão ao crescimento da produção de soja, milho e farelo em estados como Mato Grosso, Pará e Maranhão.

Alguns números de referência ajudam a dimensionar o potencial:

IndicadorSituação e relevância
Participação do rodoviárioResponde por cerca de **60%** do transporte de cargas no Brasil (EPL/MT)
Participação do aquaviárioEm torno de **20%** da matriz, somando navegação interior e cabotagem
Ganho de custoHidrovias podem reduzir o frete em até **40%** em longas distâncias, segundo estudos setoriais
Crescimento do agroProdução de grãos deve seguir acima de **300 milhões t** (Conab)

Com mais linhas regulares de cabotagem conectando Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, cresce também a oferta de transporte de contêineres para carnes, frutas e produtos industrializados do agro. Isso abre espaço para operações multimodais, combinando caminhão, barcaça, navio e ferrovia em cadeias mais eficientes.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar de perto a expansão de terminais hidroviários e de cabotagem em suas regiões, além de novas rotas anunciadas por tradings e operadores logísticos. Onde houver acesso viável a portos fluviais ou marítimos, a migração parcial do escoamento para o modal aquaviário pode reduzir custos, ampliar janelas de venda e diminuir o impacto de períodos de safra cheia sobre o frete rodoviário.

Fontes

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