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Triticale pode substituir trigo em biscoitos, aponta Embrapa

Testes da Embrapa e da Vilma indicam que o triticale pode substituir totalmente o trigo em dois tipos de biscoitos.

17 de outubro de 2026 3 min de leitura
Triticale pode substituir trigo em biscoitos, aponta Embrapa

Testes conduzidos pela Embrapa Trigo e pela Vilma Alimentos indicam que o triticale pode substituir totalmente a farinha de trigo em dois tipos de biscoitos. O cereal também apresentou potencial para uso parcial em wafers, bolos, pizzas e biscoitos doces. A alternativa amplia as possibilidades para o cultivo de cereais de inverno e para a indústria de alimentos.

O que aconteceu

O triticale é resultado do cruzamento entre trigo e centeio. A Embrapa avaliou a qualidade industrial do cereal produzido no Cerrado e analisou seu desempenho em diferentes formulações destinadas à alimentação humana.

A Vilma Alimentos testou a farinha de triticale em 11 produtos. O ingrediente foi aprovado em seis deles. Em dois tipos de biscoitos, a substituição do trigo chegou a 100%, sem perda de qualidade, expansão ou características sensoriais relevantes.

Nos biscoitos moldados, a farinha de triticale manteve atributos semelhantes aos produtos elaborados apenas com trigo. Nos biscoitos laminados doces, conhecidos como biscoitos de maisena, o limite recomendado ficou em 30%, preservando textura, cor e sabor.

Por que importa para o agro

A expansão do triticale pode criar uma alternativa de cultivo para regiões do Cerrado, especialmente em sistemas de produção que buscam diversificar os cereais de inverno. O uso industrial definido ajuda a reduzir a dependência de uma única matéria-prima e pode aproximar produtores, moinhos e fabricantes.

Para a indústria, o principal ganho está no desempenho em biscoitos. Segundo a Embrapa Trigo, o cereal oferece crocância e firmeza, características que podem reduzir a necessidade de aditivos químicos. A substituição, porém, não é igual para todos os produtos e depende da formulação e da qualidade da farinha.

Dados e contexto

  • 11 produtos foram avaliados nos testes industriais.
  • Seis produtos apresentaram viabilidade de uso da farinha de triticale.
  • Dois tipos de biscoitos permitiram substituição total do trigo.
  • Biscoitos moldados: substituição de até 100%.
  • Biscoitos laminados doces: substituição de até 30%.
  • Pães de baixo crescimento: mistura indicada de 50% de trigo e 50% de triticale.
  • Wafers, bolos e pizzas: uso recomendado em proporções parciais.
Na panificação, a farinha de triticale apresentou menor força de glúten e coloração mais escura. Por isso, o uso em pães exige mistura com farinha de trigo. O cereal tende a ser mais competitivo em produtos que não dependem de grande volume ou de uma rede de glúten forte.

A Embrapa já aponta o triticale como opção para biscoitos, massas, pizzas e alimentação animal. A recomendação de uso na indústria alimentícia depende da adaptação das cultivares, da oferta regional de grãos e da regularidade da qualidade industrial.

O que observar daqui para frente

O avanço dependerá da expansão dos testes, da validação comercial e da formação de uma cadeia de fornecimento estável. Produtores devem acompanhar cultivares recomendadas, produtividade e demanda regional antes de ampliar o plantio. Para a indústria, os principais pontos serão custo, padronização da farinha e aceitação dos consumidores.

Fontes

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