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Trump reabre disputa comercial com China, Japão e Europa e deixa Brasil de fora

Donald Trump sinaliza nova rodada de tarifas sobre China, Japão e União Europeia, mas ignora Brasil, o que pode mexer com preços e competitividade do agro.

25 de maio de 2026 4 min de leitura
Trump reabre disputa comercial com China, Japão e Europa e deixa Brasil de fora

Donald Trump voltou a falar em tarifas sobre produtos da China, Japão e União Europeia, reacendendo o clima de guerra comercial. O Brasil, grande exportador de commodities agrícolas, ficou fora das conversas iniciais, o que expõe a dependência do país das decisões externas e pode mexer com câmbio, preços e competitividade do agro.

O que aconteceu

Em entrevistas recentes, Trump defendeu elevar tarifas sobre importações da China e impor novas barreiras a Japão e União Europeia, alegando competição desleal e necessidade de proteger a indústria americana. A sinalização vem em meio ao acirramento da disputa eleitoral nos EUA, em que o discurso de “America First” ganha força novamente.

O foco da fala de Trump está em setores industriais e tecnológicos, mas tarifas tendem a provocar reações em cadeia. China e Europa podem retaliar em outros produtos, inclusive agrícolas, redirecionando compras e vendas para novos mercados. Nesse redesenho de rotas, grandes fornecedores de alimentos, como Brasil, Austrália e Argentina, entram no radar.

Mesmo grande parceiro agro dos EUA e da China, o Brasil não foi citado por Trump nas primeiras declarações. Isso não significa proteção automática: o país continua vulnerável a movimentos de câmbio, mudanças de preferências de compra e novas políticas de subsídio dos americanos para seus próprios produtores.

Por que importa para o agro

Guerra comercial entre grandes economias altera preços internacionais de grãos, carnes, açúcar e algodão. Se EUA e China voltarem a brigar com tarifas, a China tende a buscar origens alternativas para soja, milho e proteínas. Em 2018–2019, esse movimento favoreceu o Brasil, que ampliou exportações de soja para os chineses em meio ao conflito, segundo dados da Embrapa e do USDA.

Por outro lado, tarifas e incerteza podem derrubar preços globais ou gerar volatilidade forte. Produtor brasileiro fica exposto: pode ganhar mercado em alguns produtos e perder em outros, além de enfrentar variações bruscas de câmbio que impactam custo de insumos importados, como fertilizantes e defensivos.

Dados e contexto

Nos últimos anos, o Brasil consolidou papel central no abastecimento global:

  • Segundo a Conab, o país deve colher acima de 300 milhões de toneladas de grãos em safras recentes, com soja e milho à frente.
  • O USDA projeta o Brasil como maior exportador mundial de soja e um dos líderes em milho, carne bovina e de frango.
  • A China absorve em torno de 60% das exportações brasileiras de soja, de acordo com dados do MAPA.
Quando Trump iniciou a guerra comercial com a China, em 2018, tarifas americanas sobre produtos chineses somaram mais de US$ 360 bilhões em bens, com resposta tarifária de Pequim. Na época, a China aumentou compras de soja brasileira, elevando volumes e prêmios de exportação.

Movimentos assim mexem em três frentes principais para o produtor:

FatorPossível efeito para o agro brasileiro

| Câmbio | Dólar mais forte aumenta receita em reais, mas encarece insumos importados | | Preços externos | Tarifas podem elevar prêmios em alguns mercados e derrubar preços em outros | | Fluxo comercial | Mudança de origem/destino cria oportunidades em soja e carnes, mas pressiona cadeia de industrializados |

Se EUA aumentarem proteção à sua agricultura com novos subsídios, produtores americanos podem ganhar fôlego para disputar mercados hoje dominados pelo Brasil. Ao mesmo tempo, eventual endurecimento contra a China pode estimular Pequim a reforçar acordos de longo prazo com fornecedores considerados mais confiáveis, o que abre espaço para consolidar contratos com exportadores brasileiros.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar negociações entre EUA, China, Japão e União Europeia, especialmente anúncios de tarifas efetivas, pacotes de subsídios agrícolas americanos e reações de compra da China. A sinalização de Trump pode tanto gerar janelas de oportunidade para exportações brasileiras quanto aumentar a instabilidade de preços, exigindo gestão de risco mais ativa, uso de hedge em bolsa e atenção redobrada ao câmbio nas próximas safras.

Fontes

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