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UE prevê demora de até dois anos para liberar carne brasileira

União Europeia considera difícil retomar antes de dois anos a entrada de carne bovina brasileira, devido às exigências sobre antimicrobianos.

02 de outubro de 2026 4 min de leitura
UE prevê demora de até dois anos para liberar carne brasileira

A União Europeia considera difícil autorizar a retomada da entrada de carne bovina brasileira antes de dois anos. O prazo está ligado à exigência de comprovação de que não houve uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal, que dura cerca de dois anos. A posição amplia a pressão sobre frigoríficos, pecuaristas e o governo brasileiro.

O que aconteceu

Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da Delegação da União Europeia no Brasil, afirmou ao g1 que o bloco ainda vê obstáculos para recolocar o Brasil na lista de países autorizados a exportar carne bovina. Exportadores brasileiros defendem que seja negociado um período de transição para permitir a retomada dos negócios antes desse prazo.

Até agora, a UE não sinalizou abertura para essa alternativa. O bloco exige garantias sanitárias verificáveis e registros capazes de demonstrar o cumprimento das regras ao longo de toda a criação do animal, e não apenas na etapa final de abate.

A suspensão das exportações de carne bovina brasileira para o mercado europeu começou em setembro de 2026. A decisão afeta um destino de alto valor, mesmo que a União Europeia represente parcela menor do volume total embarcado pelo Brasil.

Por que importa para o agro

A Europa compra cortes de maior valor agregado e costuma pagar preços médios superiores aos de muitos outros mercados. A interrupção pode reduzir a capacidade de remuneração dos frigoríficos habilitados e aumentar a necessidade de redirecionar parte da produção para China, Estados Unidos, Oriente Médio e outros compradores.

Para o pecuarista, o principal risco é a pressão sobre os preços dos animais destinados à exportação. Frigoríficos também podem rever escalas de abate, contratos e critérios de compra. A exigência europeia tende a acelerar investimentos em rastreabilidade, controle de medicamentos e separação de lotes desde a fazenda.

Dados e contexto

  • Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para os 27 países da União Europeia, segundo dados divulgados pelo setor.
  • A China foi o principal destino das carnes brasileiras no mesmo ano, com US$ 9,8 bilhões em compras.
  • Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 14,6% sobre o mesmo período de 2025.
  • De janeiro a julho de 2026, os embarques de carne bovina brasileira para a UE somaram 63,7 mil toneladas e US$ 562,2 milhões.
  • O preço médio nesse fluxo foi de aproximadamente US$ 8.823 por tonelada, acima da média de diversos mercados compradores.
A diferença entre as estimativas decorre do período analisado e da inclusão de diferentes tipos de carne nas estatísticas. Para a bovina, a duração do ciclo produtivo é o principal fator citado pelas autoridades europeias para justificar um prazo mais longo de retomada.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar a decisão formal da UE sobre a relistagem do Brasil, as negociações do Ministério da Agricultura e a possibilidade de um período de transição. Também serão decisivos os protocolos de rastreabilidade, os registros de uso de medicamentos e a capacidade dos frigoríficos de comprovar a conformidade por animal ou lote. Enquanto a reabertura não ocorre, a diversificação de destinos será a principal alternativa comercial.

Fontes

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