UE prevê demora de até dois anos para liberar carne brasileira
União Europeia considera difícil retomar antes de dois anos a entrada de carne bovina brasileira, devido às exigências sobre antimicrobianos.
A União Europeia considera difícil autorizar a retomada da entrada de carne bovina brasileira antes de dois anos. O prazo está ligado à exigência de comprovação de que não houve uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal, que dura cerca de dois anos. A posição amplia a pressão sobre frigoríficos, pecuaristas e o governo brasileiro.
O que aconteceu
Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da Delegação da União Europeia no Brasil, afirmou ao g1 que o bloco ainda vê obstáculos para recolocar o Brasil na lista de países autorizados a exportar carne bovina. Exportadores brasileiros defendem que seja negociado um período de transição para permitir a retomada dos negócios antes desse prazo.
Até agora, a UE não sinalizou abertura para essa alternativa. O bloco exige garantias sanitárias verificáveis e registros capazes de demonstrar o cumprimento das regras ao longo de toda a criação do animal, e não apenas na etapa final de abate.
A suspensão das exportações de carne bovina brasileira para o mercado europeu começou em setembro de 2026. A decisão afeta um destino de alto valor, mesmo que a União Europeia represente parcela menor do volume total embarcado pelo Brasil.
Por que importa para o agro
A Europa compra cortes de maior valor agregado e costuma pagar preços médios superiores aos de muitos outros mercados. A interrupção pode reduzir a capacidade de remuneração dos frigoríficos habilitados e aumentar a necessidade de redirecionar parte da produção para China, Estados Unidos, Oriente Médio e outros compradores.
Para o pecuarista, o principal risco é a pressão sobre os preços dos animais destinados à exportação. Frigoríficos também podem rever escalas de abate, contratos e critérios de compra. A exigência europeia tende a acelerar investimentos em rastreabilidade, controle de medicamentos e separação de lotes desde a fazenda.
Dados e contexto
- Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para os 27 países da União Europeia, segundo dados divulgados pelo setor.
- A China foi o principal destino das carnes brasileiras no mesmo ano, com US$ 9,8 bilhões em compras.
- Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 14,6% sobre o mesmo período de 2025.
- De janeiro a julho de 2026, os embarques de carne bovina brasileira para a UE somaram 63,7 mil toneladas e US$ 562,2 milhões.
- O preço médio nesse fluxo foi de aproximadamente US$ 8.823 por tonelada, acima da média de diversos mercados compradores.
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar a decisão formal da UE sobre a relistagem do Brasil, as negociações do Ministério da Agricultura e a possibilidade de um período de transição. Também serão decisivos os protocolos de rastreabilidade, os registros de uso de medicamentos e a capacidade dos frigoríficos de comprovar a conformidade por animal ou lote. Enquanto a reabertura não ocorre, a diversificação de destinos será a principal alternativa comercial.
Fontes
- G1 – UE acha difícil liberar carne brasileira antes de dois anos
- Exame – Brasil enviará informações à UE para resolver veto da carne
- Câmara dos Deputados – Dados sobre exportações brasileiras para a União Europeia
- www1.folha.uol.com.br
- oglobo.globo.com
- www1.folha.uol.com.br
- oglobo.globo.com
- diariodocomercio.com.br
- c-level.folha.uol.com.br
- g1.globo.com
- sbtnews.sbt.com.br
- exame.com
- oglobo.globo.com
- gazetadopovo.com.br
- agrolink.com.br
Continue lendo
Cacau brasileiro amplia presença internacional após evento em Paris
Participação brasileira no Salão do Chocolate de Paris abriu novos negócios e reforçou a qualidade do cacau produzido na Bahia, no Pará e no Espírito Santo.
Artesã paulista amplia produção e conquista clientes no exterior após presente a Ana Hickmann
Bolsa entregue a Ana Hickmann fez artesã de Sales Oliveira ganhar 50 mil seguidores, triplicar a produção e receber pedidos internacionais.
China desacelera compras agrícolas dos EUA e testa acordo de US$ 17 bilhões
Compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, fora a soja, podem atingir o menor nível em sete anos, ampliando a incerteza no comércio global.