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Única traça estratégia para ampliar presença do etanol brasileiro no exterior

Entidade definiu quatro frentes para abrir mercados, influenciar regulações e posicionar o etanol brasileiro na transição energética global.

27 de outubro de 2026 4 min de leitura
Única traça estratégia para ampliar presença do etanol brasileiro no exterior

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Única) estruturou uma estratégia para aumentar a presença do etanol brasileiro no mercado internacional. O plano combina abertura comercial, participação em debates regulatórios, comunicação baseada em evidências e formação de parcerias. A meta é transformar a experiência brasileira em vantagem na transição energética dos transportes.

O que aconteceu

A estratégia foi apresentada por Eduardo Leão, diretor de Estratégia e Novos Negócios da Única, durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol. O primeiro eixo busca ampliar o uso do etanol em misturas obrigatórias ou voluntárias em países como Índia, Japão e nações da Ásia e da América Latina.

O segundo eixo envolve a participação brasileira em discussões sobre regras para os setores aéreo e marítimo, além da Diretiva de Energias Renováveis da União Europeia. A entidade defende coordenação entre empresas e governo, com participação de órgãos como o Ministério das Relações Exteriores e a Marinha.

A Única também quer reforçar a comunicação internacional sobre o etanol brasileiro, usando dados científicos para apresentar os benefícios ambientais da produção nacional. O quarto eixo prevê a aproximação com governos, instituições e empresas interessadas em combustíveis de menor intensidade de carbono.

Por que importa para o agro

A abertura de novos mercados pode reduzir a dependência das usinas em relação à demanda doméstica e criar alternativas de comercialização para o etanol de cana e de milho. Mais compradores também podem ampliar a competição pelo produto e melhorar as oportunidades de receita para a cadeia sucroenergética.

Para o produtor de cana, a expansão externa tende a fortalecer a demanda por matéria-prima, mas o efeito dependerá de preços internacionais, câmbio, fretes e regras de acesso. Certificações, rastreabilidade e comprovação de redução de emissões devem ganhar peso nas negociações.

Dados e contexto

O transporte responde por cerca de 23% das emissões globais, segundo dados apresentados pela Única. Aproximadamente 16% desse total está associado ao transporte terrestre, segmento em que o etanol já possui aplicações comerciais consolidadas.

A estratégia também inclui ações com a ApexBrasil. O convênio de cooperação técnica e financeira voltado à promoção internacional de produtos da cana estabeleceu recursos de R$ 19,5 milhões e metas relacionadas ao valor exportado e ao número de empresas exportadoras.

FrenteObjetivo
Abertura de mercadosAmpliar misturas de etanol em outros países
RegulaçãoParticipar de normas para transportes e energia
ComunicaçãoApresentar dados ambientais sobre o produto brasileiro
ParceriasAproximar governos, empresas e instituições

A agenda internacional inclui ainda o transporte marítimo. A Organização Marítima Internacional (IMO) avalia alternativas de menor emissão para o setor, o que pode criar novas aplicações para o etanol brasileiro, desde que avanços regulatórios e logísticos viabilizem seu uso.

O que observar daqui para frente

O avanço da estratégia dependerá da remoção de barreiras tarifárias, da harmonização de critérios de sustentabilidade e da capacidade brasileira de comprovar a intensidade de carbono do produto. O setor também terá de acompanhar concorrentes, custos logísticos e possíveis mudanças nas políticas de biocombustíveis da União Europeia, dos Estados Unidos e da Ásia. A oportunidade existe, mas exige coordenação entre usinas, governo, portos e instituições de pesquisa.

Fontes

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