Adama aposta em inovação e crédito para voltar a crescer no Brasil
Novo comando da Adama prevê ampliar inovação, oferta de crédito e produtos de maior valor agregado para recuperar crescimento no mercado brasileiro.

A Adama prepara uma ofensiva para recuperar o crescimento no mercado brasileiro de defensivos agrícolas. A estratégia combina inovação, maior oferta de crédito e expansão de soluções com mais valor agregado. O plano ocorre em um ambiente de preços pressionados, menor rentabilidade e maior seletividade no campo.
O que aconteceu
Em entrevista ao AgFeed, o novo CEO da Adama Brasil, João Aleixo, afirmou que a empresa pretende reforçar seus diferenciais no país. A companhia quer ampliar a proximidade com os agricultores e oferecer soluções que vão além da venda de produtos.
A estratégia inclui investimentos em inovação, ferramentas digitais e alternativas de financiamento para apoiar as compras dos produtores. Segundo o executivo, o mercado ainda deve permanecer “estressado” por mais um ou dois anos, o que exige disciplina comercial e financeira.
A Adama também trabalha para aumentar a participação de produtos de maior valor agregado. A medida busca reduzir a dependência de moléculas expostas à concorrência de preços e melhorar a rentabilidade da operação brasileira.
Por que importa para o agro
A movimentação ocorre em um dos maiores mercados agrícolas do mundo e pode intensificar a disputa entre fabricantes de defensivos. Para o produtor, maior concorrência tende a ampliar opções de compra, condições comerciais e serviços associados ao manejo.
O crédito será um ponto central. Com margens apertadas e maior dificuldade de financiamento, produtores podem priorizar fornecedores capazes de combinar assistência técnica, prazo e soluções para diferentes culturas. O risco é que condições mais flexíveis aumentem a exposição financeira das empresas e dos agricultores em caso de queda de preços ou problemas climáticos.
Dados e contexto
- A Adama é controlada pelo Syngenta Group, que pertence à ChemChina.
- No primeiro trimestre de 2025, a companhia registrou lucro líquido global de US$ 21 milhões, após prejuízo no mesmo período anterior.
- As vendas da Adama na América Latina caíram 23%, para US$ 147 milhões, no primeiro trimestre de 2025.
- No Brasil, a empresa citou impacto de preços menores, volumes reduzidos e câmbio desfavorável.
- A companhia iniciou no Brasil a implantação do sistema SAP S/4HANA, com integração de operações, cadeia de suprimentos e entregas.
A aposta em tecnologia também pode melhorar previsão de demanda, logística e relacionamento com distribuidores. Para funcionar, porém, precisa gerar ganhos concretos de produtividade e não apenas ampliar a oferta de ferramentas digitais.
O que observar daqui para frente
Os principais indicadores serão a evolução das receitas no Brasil, o desempenho dos produtos de maior valor e a capacidade de ampliar crédito sem elevar excessivamente o risco. Também será necessário acompanhar lançamentos, parcerias comerciais e resultados por cultura. A recuperação dependerá da combinação entre preços competitivos, eficiência operacional e soluções que entreguem retorno mensurável ao produtor.
Fontes
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