Mercado

Arroz sobe 22% no RS com oferta menor e risco de El Niño

Preço do arroz em casca dispara 22% no Rio Grande do Sul, puxado por oferta mais enxuta, estoques baixos e preocupação com o El Niño.

31 de agosto de 2026 4 min de leitura
Arroz sobe 22% no RS com oferta menor e risco de El Niño

O preço do arroz em casca no Rio Grande do Sul avançou cerca de 22% entre julho e agosto, saindo da faixa de pouco mais de R$ 60 para R$ 73,60 por saca de 50 kg, segundo levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA[1][3]. A alta é puxada por oferta mais enxuta, retenção de produto pelos produtores e preocupação crescente com os efeitos do El Niño sobre a próxima safra, o que já muda a postura da indústria e dos compradores.

O que aconteceu

O mercado gaúcho de arroz ganhou força ao longo do inverno, com recuperação rápida das cotações em poucas semanas[1]. A consultoria do Itaú BBA aponta que a redução dos excedentes disponíveis, aliada ao avanço das exportações e à maior necessidade de compra da indústria, sustentou o movimento de alta[1][3].

A saca de 50 kg passou de R$ 60,33 em 1º de julho para R$ 73,60 em 13 de agosto no RS, consolidando valorização próxima de 22% no período[1][3]. Produtores adotaram postura mais cautelosa, segurando parte da oferta à espera de preços melhores, enquanto beneficiadoras voltaram às compras para recompor estoques.

Além do quadro atual de oferta, as negociações já embutem preocupação com menor produção brasileira em 2026/27 e menor disponibilidade de arroz no Mercosul, cenário que tende a manter o mercado mais apertado[1][3]. O risco climático ligado ao El Niño reforça esse movimento.

Por que importa para o agro

Para o produtor de arroz, a alta melhora a margem em um momento de custos ainda elevados e ambiente de risco climático. Com preços mais firmes, há espaço para renegociar dívidas, ajustar investimentos e planejar a próxima safra, mas o ganho pode ser limitado por insumos caros e eventuais perdas de produtividade[7][14].

Para a indústria e o varejo, o repasse do aumento é uma pressão direta sobre a cesta básica, já que o arroz é item central do consumo doméstico. A combinação de estoques menores, exportações ativas e possível quebra de safra em regiões afetadas pelo El Niño aumenta a sensibilidade do mercado a qualquer choque de oferta, com impacto potencial sobre a inflação de alimentos monitorada por órgãos como IBGE e Banco Central[4][12].

Dados e contexto

O relatório do Itaú BBA destaca alguns pontos-chave do mercado de arroz:

IndicadorSituação recente
Preço saca 50 kg (RS)De **R$ 60,33** (01/07) para **R$ 73,60** (13/08)[1][3]
Variação no períodoAlta de **aprox. 22%**[1][3]
Oferta internaMenor excedente, produtor segurando vendas[1][13]
ExportaçõesMovimento firme, ajudando a enxugar o mercado[1][3]
Safra 2025/26Produção menor e oferta efetiva mais controlada[13]
Safra 2026/27Perspectiva de nova redução da produção e estoques de passagem mais baixos[1][3]

Estudos do Itaú BBA e de consultorias de mercado vêm alertando que o El Niño pode alterar o regime de chuvas, com excesso de precipitação em áreas como o Rio Grande do Sul e eventuais períodos de seca em outras regiões produtoras[4][10][12]. No arroz, isso afeta desde o preparo de área e plantio, que no RS começa em setembro, até o enchimento de grãos, elevando o risco de quebra de safra[10].

Em anos recentes, a Conab já registrou forte sensibilidade da produção de arroz às oscilações climáticas, com reduções de área e produtividade em ciclos de maior risco hídrico. Em paralelo, o USDA monitora impactos do El Niño sobre grandes produtores asiáticos, o que pode reduzir a oferta global e ampliar a pressão sobre preços internacionais.

O que observar daqui pra frente

O produtor e o mercado devem acompanhar de perto a evolução do El Niño durante o ciclo 2026/27, os relatórios de safra da Conab, Embrapa e Itaú BBA e o comportamento das exportações brasileiras. Se a combinação de clima adverso, estoques baixos e demanda aquecida se confirmar, o arroz pode seguir em patamar de preço mais alto, abrindo oportunidade de renda melhor ao produtor, mas com risco de pressão sobre consumo interno e maior volatilidade nas cotações.

Fontes

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