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Brasil caminha para novo recorde na soja em 2026

Projeções indicam safra e processamento recordes de soja em 2026 no Brasil, com impacto direto em preços, margens e planejamento do produtor.

29 de junho de 2026 4 min de leitura
Brasil caminha para novo recorde na soja em 2026

As primeiras projeções para a safra de soja de 2026 indicam novo recorde de produção e exportações no Brasil, mantendo o país como principal fornecedor global do grão. Estimativas de Abiove, USDA, IBGE e Conab apontam aumento da colheita, dos embarques e do processamento doméstico, o que deve moldar preços, margens e decisões de investimento em toda a cadeia.

O que aconteceu

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta que o Brasil renove em 2026 seu recorde de exportações de soja, com embarques em torno de 111,5 milhões de toneladas, cerca de 0,5% acima de 2025[1][6]. Ao mesmo tempo, o processamento interno deve atingir 61 milhões de toneladas, alta de 0,8% na comparação com o ano anterior[1][3][6].

Nas estimativas da Abiove, a produção de derivados também cresce: o país deve produzir cerca de 47 milhões de toneladas de farelo e 12,25 milhões de toneladas de óleo de soja, ambos com avanço próximo de 1% sobre 2025[1]. Esses volumes consolidam o Brasil como grande fornecedor de proteína vegetal e óleo para alimentação, ração e biodiesel.

No cenário internacional, o adido agrícola do USDA em Brasília calcula a safra brasileira de soja 2025/26 em 173 milhões de toneladas, 2% acima da temporada anterior e em patamar recorde[2]. Para a safra atual 2024/25, o USDA trabalha com 169 milhões de toneladas, que servem de base para essa expansão projetada[2].

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Por que importa para o agro

Para o produtor, um quadro de oferta recorde implica maior competição e margens mais apertadas, especialmente em regiões de custo elevado e logística mais cara[5]. Preços tendem a ser pressionados se a demanda global não acompanhar o avanço da colheita, o que aumenta a importância de travas de preço, gestão de custos e planejamento financeiro.

Para a cadeia de processamento, o crescimento do esmagamento reforça a importância de contratos de longo prazo e da integração com indústrias de ração e biodiesel. Maior volume de farelo e óleo amplia oportunidades, mas exige atenção à capacidade industrial, ao custo de energia e à volatilidade cambial, que afeta exportações e remuneração em reais.

Dados e contexto

IBGE e Conab também projetam safra recorde de grãos em 2026, com destaque para a soja. O IBGE estima colheita de 348 milhões de toneladas de grãos, avanço de 1,2% sobre a previsão de fevereiro e 0,7% acima do recorde de 2025[4]. Arroz, milho e soja respondem por cerca de 92,9% dessa produção[4].

A área plantada em 2026 supera 83 milhões de hectares, cerca de 1,6 milhão de hectares a mais que em 2025[4]. A Conab, por sua vez, projeta 356,3 milhões de toneladas de grãos, contra 350 milhões na safra anterior, crescimento próximo de 1,2%[4].

Indicador 2026Projeção
Safra de grãos (Conab)**356,3 mi t**[4]
Safra de grãos (IBGE)**348 mi t**[4]
Exportações de soja (Abiove)**111,5 mi t**[1][6]
Processamento de soja**61 mi t**[1][3][6]
Safra de soja 2025/26 (USDA)**173 mi t**[2]

No campo, o avanço da colheita reforça a posição de estados líderes e consolida novas áreas. O Rio Grande do Sul figura como quarto maior produtor de soja do país, com papel relevante na oferta nacional e na diversificação regional[7].

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas precisam acompanhar de perto as próximas revisões de USDA, Conab e Abiove, além dos movimentos da demanda chinesa e da indústria de proteína animal. Com margens pressionadas e estoques elevados, gestão de risco de preço, qualidade de armazenagem, eficiência logística e adoção de tecnologias de manejo serão decisivas para transformar uma safra recorde em resultado positivo na fazenda.

Fontes

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