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Brasil e EUA marcam reunião presencial para negociar tarifaço

Encontro presencial entre Brasil e EUA vai tratar do tarifaço que atinge aço e produtos do agro, com impacto direto em exportadores brasileiros.

14 de setembro de 2026 4 min de leitura
Brasil e EUA marcam reunião presencial para negociar tarifaço

O governo brasileiro confirmou a primeira reunião presencial com os Estados Unidos para discutir o tarifaço aplicado por Washington sobre produtos do Brasil, incluindo itens ligados ao agro. O encontro, previsto para o fim de setembro, será à margem de reuniões preparatórias do G20 e busca frear o aumento de custos e a perda de competitividade dos exportadores brasileiros.

O que aconteceu

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer (USTR), marcaram uma reunião presencial entre 30 de setembro e 1º de outubro, nos Estados Unidos. Também deve participar o chanceler Mauro Vieira, reforçando o peso político da negociação.

Essa será a primeira conversa presencial de alto nível desde que o tarifaço foi ampliado, com sobretaxas sobre produtos brasileiros em nome de "segurança nacional". Antes disso, o diálogo vinha ocorrendo por telefone e videoconferência, com reuniões técnicas marcadas para detalhar os impactos e as possíveis saídas.

O encontro acontece em meio à pressão de empresas norte‑americanas e brasileiras contra as tarifas, que vêm elevando custos, derrubando volumes exportados e criando incerteza sobre contratos de longo prazo.

Por que importa para o agro

O tarifaço não atinge só aço e metal. Já há reflexos em celulose, produtos industriais ligados à cadeia do agronegócio e equipamentos agrícolas, que entram no cálculo de custos do produtor e da agroindústria. Tarifas mais altas reduzem margens e podem deslocar o Brasil de nichos estratégicos no mercado americano.

Para o produtor rural, o efeito vem em duas frentes: encarecimento de máquinas e insumos importados dos EUA e menor demanda por alguns produtos brasileiros, especialmente quando contratos envolvem componentes industriais agora taxados. Isso pesa na rentabilidade, na decisão de investimento e na expansão de áreas produtivas.

Dados e contexto

Levantamentos do MDIC indicam que o tarifaço já alcança uma parcela relevante das exportações brasileiras para os Estados Unidos, com alíquotas extras que chegam a 50% para aço, alumínio e cobre em determinados códigos tarifários.

A Canal Rural e o G1 destacam que, desde a vigência das novas tarifas, houve queda nas vendas externas de semimanufaturados de ferro ou aço, ferro‑gusa e celulose, importantes para regiões com forte presença da agroindústria florestal.

O quadro se soma à cronologia recente de aumento de tarifas pelo governo Trump, incluindo uma sobretaxa geral de 12,5% sobre diversos produtos brasileiros. Esse movimento amplia o risco de desvio de comércio, beneficiando concorrentes de outros países com acesso mais barato ao mercado americano.

Instituições como a Conab e o IBGE ainda não refletem totalmente esse choque nos números de produção agropecuária, mas o impacto nas exportações e na indústria associada já aparece nas estatísticas de comércio exterior do governo brasileiro.

Em paralelo, associações empresariais ligadas ao agro e à indústria relatam renegociação de contratos, adiamento de investimentos e pressão por diversificação de destinos, com maior foco em Ásia, Europa e países árabes para compensar o risco americano.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agroindústrias devem acompanhar três pontos: o resultado concreto da reunião (eventuais exceções setoriais ou redução de alíquotas), a postura de empresas dos EUA que pressionam contra o tarifaço e a capacidade do Brasil de abrir novos mercados para produtos hoje dependentes do cliente americano. Se o encontro gerar um cronograma claro de flexibilização tarifária, abre espaço para retomada de exportações e maior previsibilidade de investimentos; se não, o setor terá de acelerar a diversificação de destinos e ajustar planos de expansão.

Fontes

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