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Brasil vai aos EUA defender café e outros produtos do agro contra tarifa de 25%

Setores do agronegócio brasileiro participam de audiência em Washington para tentar barrar tarifa de 25% dos EUA sobre café e outros produtos.

06 de julho de 2026 4 min de leitura
Brasil vai aos EUA defender café e outros produtos do agro contra tarifa de 25%

O governo brasileiro e entidades do agronegócio participam de audiência pública em Washington para tentar evitar a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos nacionais, com foco no café e em outros itens relevantes da pauta exportadora do país. A medida proposta pelos Estados Unidos, dentro do chamado “tarifaço” do governo Trump, pode encarecer o produto brasileiro, reduzir competitividade e afetar diretamente renda de produtores e indústria.

O que aconteceu

A audiência ocorre no âmbito do USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, responsável por ouvir setor privado e governos antes de definir a lista final de produtos que podem sofrer sobretaxa.[2] Representantes do Brasil têm cerca de cinco minutos em cada painel para defender seus setores e mostrar os impactos econômicos de novas tarifas sobre o agro.[2]

No caso do café, a preocupação é maior com o café solúvel, que pode enfrentar tarifas próximas de 40%, enquanto o café verde poderia chegar a 12,5% se a medida avançar.[3] A indústria brasileira e entidades como o Cecafé argumentam que o aumento de tarifas teria efeito direto sobre os custos das empresas americanas e pressionaria a inflação nos EUA.[9]

Além do café, outros segmentos do agro brasileiro participam dos 14 painéis previstos pelo USTR, buscando retirar seus produtos da lista de sobretaxação de 25% proposta pelo governo Trump.[2][6] O Brasil tenta construir um discurso unificado, destacando que o tarifaço afeta cadeias produtivas integradas e compromete o abastecimento e os preços para o consumidor americano.[8]

Por que importa para o agro

Para o produtor de café, tarifas mais altas nos EUA significam mercado menor e preços potencialmente mais baixos na origem, já que a indústria exportadora perde competitividade e pode reduzir compra de matéria-prima. A sobretaxa também ameaça novos investimentos em beneficiamento e industrialização de café no Brasil, especialmente em solúvel, segmento que agrega valor e gera emprego.

Do lado do mercado, os EUA são um dos principais destinos do café brasileiro. Qualquer barreira adicional tende a mexer na formação de preço internacional e na disputa com concorrentes como Colômbia e Vietnã. Se o café nacional ficar mais caro por causa da tarifa, a substituição por produtos de outros países é uma possibilidade concreta, enfraquecendo a participação brasileira em um mercado estratégico.

Dados e contexto

  • O governo Trump discute sobretaxa de 25% sobre uma lista ampla de produtos brasileiros, incluindo itens do agronegócio.[6][7]
  • No café, projeções indicam taxas próximas de 40% para o café solúvel e até 12,5% para o café verde.[3]
  • A audiência do USTR foi estruturada em 14 painéis, com início às 10h no horário de Washington.[2]
  • Os setores brasileiros tiveram até 1º de julho para enviar argumentos técnicos por escrito, usados como base nas apresentações orais.[2]
Indicador chaveSituação em debate
Tarifa potencial sobre café solúvelAté **40%** sobre produto brasileiro[3]
Tarifa potencial sobre café verdeAté **12,5%**[3]
Tarifa geral proposta para produtos brasileiros**25%** em diversos itens do agro[6][7]
Estrutura da audiência no USTR14 painéis com falas de até 5 minutos[2]

O setor cafeeiro americano também tem defendido que o governo dos EUA negocie com o Brasil, apontando riscos de aumento de custos e de impacto na própria indústria local.[3] A visão é de que a cadeia do café é integrada entre os dois países, e que barreiras tarifárias elevadas tendem a prejudicar todos os elos, do produtor ao varejo.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e indústrias devem acompanhar de perto a decisão final do USTR e a lista de produtos que, de fato, terão tarifas elevadas. Se o tarifaço for mantido, pode haver necessidade de redirecionar exportações, buscar novos mercados ou ajustar contratos de longo prazo. Se o Brasil conseguir reduzir ou retirar itens da lista, abre-se espaço para manter competitividade, avançar em acordos comerciais e reforçar a imagem do país como fornecedor estratégico de alimentos e bebidas para os EUA.

Fontes

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