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Carnes, soja e etanol puxam avanço da receita industrial do agro em 2024

Receita da indústria brasileira cresce em 2024, com destaque para carnes, soja e etanol, e reforça o peso do agronegócio nas exportações e na balança comercial.

24 de junho de 2026 4 min de leitura
Carnes, soja e etanol puxam avanço da receita industrial do agro em 2024

A indústria brasileira encerrou 2024 com crescimento real de receita, impulsionado principalmente por carnes, complexo soja e etanol, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O movimento reforça o agronegócio como motor da indústria de transformação, das exportações e do saldo positivo da balança comercial do país.

O que aconteceu

A CNI aponta que a receita real da indústria de transformação cresceu em 2024, mesmo em cenário de juros ainda altos e demanda doméstica moderada. O avanço foi garantido sobretudo por setores ligados ao agronegócio, com destaque para frigoríficos, óleo e farelo de soja e biocombustíveis.

Os produtos de origem agropecuária tiveram forte presença tanto no mercado interno quanto externo. Carnes bovina, suína e de frango, óleo de soja, farelo e etanol figuraram entre os principais itens da pauta industrial, ajudando a compensar o desempenho mais fraco de segmentos voltados ao consumo das famílias e à construção.

A exportação de bens industriais derivados do agro também cresceu em valor, contribuindo para a melhora do saldo comercial. A combinação de câmbio favorável, demanda externa estável e competitividade de custo, especialmente em proteína animal e derivados de soja, sustentou a receita em dólares.

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Por que importa para o agro

O protagonismo de carnes, soja e etanol na receita industrial reforça a integração entre campo e indústria. Para o produtor rural, isso significa maior relevância das cadeias com alto grau de processamento, que agregam valor ao grão, à cana e à pecuária e tendem a gerar demanda mais estável ao longo do ano.

Esse movimento também influencia preços e margens na porteira. A capacidade da indústria de exportar cortes de maior valor, farelo, óleo e biocombustíveis ajuda a manter o escoamento da safra e do rebanho, reduzindo pressão de oferta no mercado interno e sustentando a viabilidade econômica de soja, milho, cana e pecuária.

Dados e contexto

  • Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio brasileiro supera R$ 3 trilhões, somando ramos agrícola e pecuário, o que evidencia o peso do setor na economia e na base industrial.[6]
  • A pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE mostra que o valor de produção das principais culturas atingiu R$ 783,2 bilhões em 2024, com a soja respondendo por cerca de um terço desse total, mesmo com queda de 25,4% no valor de produção no ano.[3]
  • A Conab e o Ministério da Agricultura indicam safra recorde de grãos 2024/25, acima de 350 milhões de toneladas, o que garante matéria-prima abundante para a indústria de carnes, óleo, farelo e etanol de milho.[4]
  • A CNA registra que o agronegócio brasileiro gerou R$ 1,34 trilhão em 2024, somando segmentos agrícola e pecuário, reforçando a base de abastecimento da indústria de transformação ligada ao campo.[9]
  • Apesar de recuo de 1,3% na receita das exportações do agro em 2024, as vendas externas seguiram em patamar elevado, com US$ 164,4 bilhões, mantendo o Brasil entre os principais fornecedores globais de alimentos e insumos agroindustriais.[8]
Essa combinação de grande oferta de grãos, forte parque industrial em proteína animal e crescimento da produção de biocombustíveis cria um elo direto entre decisões de plantio, confinamento, moagem e o desempenho da indústria de transformação.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias precisam acompanhar de perto três pontos: custo de produção (grãos, energia e logística), demanda global por proteínas e biocombustíveis e câmbio. Mudanças nesses fatores podem alterar rapidamente a competitividade de carnes, soja e etanol, abrindo espaço para melhores margens ou exigindo ajustes de estratégia em plantio, confinamento, contratos de fornecimento e investimentos em processamento.

Fontes

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