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China amplia produção de frango e pode disputar mercados do Brasil

A China aumenta a produção e as exportações de frango, elevando a concorrência com o Brasil em mercados estratégicos.

12 de outubro de 2026 4 min de leitura
China amplia produção de frango e pode disputar mercados do Brasil

A China deixou de ser apenas uma grande compradora de carne de frango e avança como exportadora. O aumento da produção interna e das vendas externas pode criar concorrência direta para o Brasil, principalmente em mercados da Ásia e do Oriente Médio.

O movimento ocorre enquanto o Brasil mantém o posto de maior exportador mundial de carne de frango. A mudança chinesa não elimina a demanda pelo produto brasileiro, mas aumenta a disputa por clientes, preços e espaço nas prateleiras.

O que aconteceu

A produção chinesa de carne de frango deve crescer 5% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, segundo estimativas citadas em relatório do USDA. O país já é o segundo maior produtor mundial, atrás dos Estados Unidos.

As exportações também aceleraram. Entre janeiro e maio de 2026, a China embarcou 546 mil toneladas, alta de 51% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o ano, a projeção é de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas exportadas.

A estratégia chinesa combina produção em escala com foco em cortes de menor consumo doméstico, como o peito de frango. Ao mesmo tempo, o país continua importando produtos com forte demanda interna, como pés de frango. Esse modelo permite ampliar as exportações sem abandonar completamente as compras externas.

Por que importa para o agro

A maior presença chinesa pode pressionar preços e margens dos frigoríficos brasileiros. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e outros mercados asiáticos estão entre os destinos relevantes do frango brasileiro e também podem ser disputados pela China.

Para produtores e exportadores, o cenário reforça a necessidade de eficiência, sanidade e diversificação comercial. O Brasil mantém vantagens em escala, experiência exportadora e acesso a diferentes mercados, mas depender menos de poucos compradores reduz o risco de mudanças rápidas na demanda.

A concorrência também pode aumentar a exigência por cortes específicos, regularidade de entrega e preços competitivos. Empresas brasileiras mais adaptadas ao processamento e à diferenciação de produtos tendem a enfrentar melhor essa disputa.

Dados e contexto

  • Produção chinesa prevista para 2026: 17,3 milhões de toneladas.
  • Crescimento estimado da produção: 5% no ano.
  • Exportações chinesas entre janeiro e maio de 2026: 546 mil toneladas.
  • Alta das exportações chinesas no período: 51% na comparação anual.
  • Projeção de exportações chinesas em 2026: 1,4 milhão de toneladas.
  • Exportações brasileiras de janeiro a setembro de 2026: 4,421 milhões de toneladas, segundo a ABPA.
  • Embarques brasileiros em setembro: 500,3 mil toneladas, alta de 3,7% sobre setembro de 2025.
A China também voltou a comprar volumes relevantes do Brasil. Em setembro, importou 40,9 mil toneladas de carne de frango brasileira, contra apenas 51 toneladas no mesmo mês de 2025. A comparação foi influenciada pela retomada das compras após os efeitos do caso de gripe aviária registrado no Brasil em 2025.

O Brasil ainda possui uma base exportadora muito maior. A ABPA projeta até 5,5 milhões de toneladas exportadas em 2026, enquanto a China deve alcançar cerca de 1,4 milhão de toneladas. A diferença, porém, pode diminuir se o ritmo chinês continuar elevado.

O que observar daqui para frente

O principal ponto será a capacidade da China de manter o crescimento das exportações sem reduzir excessivamente os preços. O Brasil deve acompanhar mudanças sanitárias, barreiras comerciais, custos de ração e avanço chinês em mercados do Oriente Médio. A diversificação de destinos e o investimento em produtos processados podem transformar a concorrência em oportunidade para preservar valor e participação.

Fontes

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