Mercado

China e EUA reduzem tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias

Acordo inclui milho, trigo, carnes e laticínios dos Estados Unidos, mas deixa a soja em grão fora da lista de produtos beneficiados.

04 de outubro de 2026 3 min de leitura
China e EUA reduzem tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias

China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias negociadas entre os dois países. O pacote envolve aproximadamente US$ 30 bilhões em produtos de cada lado e inclui diversos itens agrícolas americanos. A soja em grão, porém, ficou fora da lista, limitando o impacto direto sobre a principal commodity agrícola exportada pelos Estados Unidos à China.

O que aconteceu

Os governos divulgaram listas com mais de 1.600 produtos americanos que poderão receber tratamento tarifário mais favorável no mercado chinês. A relação inclui milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais, farelos, pescados e madeira.

Do lado dos Estados Unidos, a redução alcança cerca de 77 categorias de produtos chineses, entre eletrodomésticos, brinquedos, utensílios domésticos e outros bens de consumo. O acordo também prevê a criação de um conselho bilateral de comércio e de um grupo de trabalho dedicado à agricultura.

A soja em grão não foi incluída na relação de produtos com redução tarifária. Foram mencionados, no entanto, farelo e óleo de soja, além de sementes de soja e arroz. A medida representa uma redução parcial das barreiras comerciais, não o fim da disputa entre as duas maiores economias do mundo.

Por que importa para o agro

A abertura parcial do mercado chinês pode aumentar a competitividade de produtos agrícolas americanos, principalmente milho, trigo, sorgo, carnes e lácteos. Se as compras chinesas desses itens crescerem, fornecedores de outros países poderão enfrentar maior concorrência em preços e volume.

Para o Brasil, o efeito mais sensível tende a aparecer nos grãos. A China é o principal destino da soja brasileira, e a exclusão da soja em grão do acordo reduz o risco de uma mudança imediata no fluxo desse mercado. Ainda assim, a entrada de produtos americanos em outras categorias pode alterar a demanda por farelo, óleo vegetal e cereais no comércio global.

Dados e contexto

  • US$ 60 bilhões: valor aproximado das mercadorias abrangidas pelo entendimento.
  • US$ 30 bilhões: estimativa do valor dos produtos de cada país incluídos no pacote.
  • Mais de 1.600 itens: número de produtos americanos que poderão ter tarifas reduzidas na China.
  • Produtos agrícolas citados: milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais e farinhas.
  • Soja em grão: não aparece na lista de redução tarifária.
O acordo ocorre depois de sucessivas rodadas de tarifas e retaliações entre Washington e Pequim. A China é um dos maiores compradores mundiais de soja, enquanto os Estados Unidos disputam com o Brasil espaço no fornecimento de grãos, carnes e outros produtos agrícolas.

O que observar daqui para frente

Exportadores e tradings devem acompanhar a publicação das alíquotas finais, o calendário de implementação e o comportamento das compras chinesas. Para o produtor brasileiro, os principais sinais serão os prêmios de exportação, o câmbio, os preços futuros da soja e do milho e eventuais mudanças na participação americana no mercado chinês. A criação do grupo de trabalho agrícola também pode indicar novas concessões ou restrições nas próximas negociações.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo