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Chuvas atípicas sustentam alta do etanol em SP apesar de estoques robustos

Clima chuvoso em São Paulo encarece o etanol anidro e hidratado em setembro, mesmo com safra e estoques elevados, segundo análise da Esalq/USP.

10 de setembro de 2026 4 min de leitura
Chuvas atípicas sustentam alta do etanol em SP apesar de estoques robustos

O aumento das chuvas no fim de agosto e início de setembro em regiões canavieiras de São Paulo reduziu o ritmo de moagem e sustentou a alta dos preços do etanol anidro e hidratado nas usinas, mesmo com safra robusta e estoques elevados. A análise é do Cepea, da Esalq/USP, e ajuda a explicar o encarecimento do biocombustível para distribuidoras e, na sequência, para o consumidor.

O que aconteceu

O clima mais úmido do que o previsto interrompeu a rotina de colheita e processamento de cana no Centro-Sul, em especial nas usinas paulistas. Com menos dias efetivos de operação, a oferta imediata de etanol no mercado spot diminuiu, dando maior poder de barganha aos vendedores.

Segundo o Cepea/Esalq, as usinas adotaram postura firme nas negociações, segurando volumes e praticando preços mais altos para o etanol hidratado, usado diretamente nos veículos flex, e para o anidro, misturado à gasolina. O movimento ocorre apesar de uma safra considerada abundante e estoques de biocombustível confortáveis.

A combinação de paralisações pontuais por chuva e expectativa de continuidade da alta estimulou distribuidoras a reforçarem compras para recomposição de estoques. Esse avanço da demanda, somado à restrição temporária de oferta, manteve as cotações em trajetória de alta ao longo do início de setembro.

Por que importa para o agro

O produtor de cana sente o impacto direto desse cenário na estratégia de venda. Com preços do etanol em recuperação após períodos de maior pressão, usinas tendem a priorizar o biocombustível frente ao açúcar quando a remuneração relativa se aproxima ou supera a do mercado externo, o que influencia contratos e mix de produção.

Para a cadeia sucroenergética, o encarecimento do etanol em São Paulo afeta margens de usinas, distribuidoras e postos, além de alterar a competitividade frente à gasolina. Em momentos de preços firmes, o setor ganha fôlego de caixa, mas o consumidor reduz o consumo, o que pode impactar a demanda nos meses seguintes.

Dados e contexto

Nos boletins recentes, o Cepea/Esalq apontou sucessivas altas semanais dos preços do etanol nas usinas paulistas, em linha com o maior volume de chuvas e as paralisações de moagem. Em movimentos anteriores semelhantes, variações próximas de 2% a 2,5% por semana chegaram a ser registradas no hidratado.

A lógica de mercado é clara: oferta física limitada no curto prazo, mesmo com estoques cheios, eleva o preço de negociação nas usinas e nas bases de distribuição. Em indicadores divulgados por instituições como ANP e Cepea, esse efeito aparece com defasagem, refletindo o repasse gradual aos preços nas bombas.

A estrutura do mercado paulista, concentrada e altamente dependente da safra do Centro-Sul, torna o sistema sensível a interrupções climáticas. A experiência de anos anteriores mostra o mesmo padrão: tempo chuvoso em plena moagem reduz o volume disponível de etanol e sustenta cotações, enquanto períodos mais secos tendem a favorecer maior oferta e pressão de baixa sobre os preços.

Fator de mercadoEfeito sobre o etanol em SP
Chuvas intensas na colheitaMenos moagem, menor oferta imediata
Safra robusta e estoques altosGarante abastecimento, mas não evita alta pontual
Demanda de distribuidorasReposição de estoques reforça pressão nas cotações
Competitividade com gasolinaDefine ritmo de consumo nos postos

O que observar daqui pra frente

Quem atua na cana e no etanol deve acompanhar de perto a evolução do clima nas próximas semanas, o calendário de moagem e os boletins de preço do Cepea, ANP e mercado internacional de açúcar. Se as chuvas persistirem em pleno pico de safra, o etanol pode seguir valorizado no curto prazo; se o tempo firmar, a oferta tende a se normalizar, reduzindo o fôlego de alta e exigindo ajuste rápido de estratégias comerciais e de produção.

Fontes

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