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Clima extremo e fome elevam risco de conflitos no mundo

Mudanças climáticas e escassez de alimentos estão pressionando a segurança global e aumentando o risco de guerras, com impactos diretos sobre o agronegócio.

05 de setembro de 2026 4 min de leitura
Clima extremo e fome elevam risco de conflitos no mundo

Ondas de calor, secas, enchentes e crises alimentares estão formando um cenário explosivo para a paz global. Relatórios da ONU e de instituições independentes mostram que a insegurança alimentar crescente aumenta de forma direta o risco de guerras e deslocamentos em massa, principalmente em regiões vulneráveis da África, Ásia e Oriente Médio. Isso afeta preços, cadeias de suprimento e estabilidade política, com reflexos claros para o agronegócio exportador.

O que aconteceu

Organismos internacionais vêm alertando que clima e fome deixaram de ser temas isolados e passaram a pressionar a segurança internacional. A ONU fala em um “círculo vicioso entre conflito e fome”, em que guerras derrubam produção agrícola e logística, enquanto a escassez de alimentos alimenta novas tensões e violência.

Estudos recentes indicam que ameaças ecológicas — como crescimento populacional rápido, risco hídrico e insegurança alimentar — são amplificadas pelas mudanças climáticas. Com mais gente competindo por água e comida em áreas já frágeis, aumenta a probabilidade de conflitos, migrações forçadas e instabilidade econômica.

O Institute for Economics & Peace estima que um aumento de 25% na insegurança alimentar eleva o risco de conflito em 36%, e piora similar no acesso à água aumenta a probabilidade de conflito em 18%. Esses números ajudam a explicar por que regiões com secas, colapsos de safra e sistemas políticos frágeis concentram boa parte das guerras atuais.

Por que importa para o agro

Para o agronegócio, o quadro significa mercados mais voláteis, custos maiores e riscos logísticos permanentes. Conflitos em regiões produtoras ou em rotas estratégicas, como o Oriente Médio e o Mar Negro, já vêm afetando o fluxo de grãos, fertilizantes e combustíveis, com impacto direto sobre fretes, seguros e preços internos no Brasil.

Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos em grandes exportadores elevam a chance de choques sincronizados de oferta. Isso tende a sustentar patamares elevados de preços internacionais para grãos, óleos e proteínas, o que pode abrir oportunidades ao produtor brasileiro, mas também aumenta a pressão sobre insumos e a necessidade de gestão de risco climático nas fazendas.

Dados e contexto

A FAO vem registrando alta recente nos preços globais dos alimentos, com o índice chegando ao maior nível desde o fim de 2022, impulsionado por clima adverso e perturbações ligadas a guerras.

Relatórios da ONU indicam que:

  • Cerca de 645 milhões de pessoas sofreram de fome em 2025, o equivalente a 7,8% da população mundial.
  • Quase 300 milhões de pessoas enfrentaram crise alimentar aguda em 2023, em parte por causa de conflitos e eventos climáticos extremos.
  • Cada um dos 14 países considerados de maior risco climático está em situação de conflito, reforçando a ligação entre clima, fome e violência.
O Institute for Economics & Peace destaca a relação direta entre insegurança alimentar, estresse hídrico e conflito, com a degradação ecológica atuando como gatilho para migrações em massa e instabilidade política.

No campo, eventos como secas prolongadas, enchentes recorrentes e ondas de calor extremas reduzem produtividade, encurtam janelas de plantio e elevam custos de irrigação e manejo. Embrapa e MAPA já vêm reforçando a necessidade de adaptação climática, com tecnologias de manejo de solo, cultivares mais resistentes e sistemas de produção integrados para reduzir vulnerabilidade.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro precisam acompanhar de perto o avanço das mudanças climáticas, a evolução dos conflitos em regiões estratégicas e os relatórios de FAO, ONU, Conab, USDA e Embrapa sobre oferta e demanda global. A combinação de clima extremo com insegurança alimentar tende a manter o ambiente de preços voláteis, exigindo planejamento financeiro, diversificação de mercados, gestão de risco climático e atenção à logística internacional para transformar riscos em oportunidades competitivas.

Fontes

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