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Colheita de café avança, mas qualidade dos grãos acende alerta

Colheita de café no Brasil ganha ritmo, porém abaixo da média histórica e com preocupação crescente sobre a qualidade dos grãos.

10 de junho de 2026 4 min de leitura
Colheita de café avança, mas qualidade dos grãos acende alerta

A colheita de café no Brasil segue em avanço, mas ainda abaixo do ritmo histórico, com produtores e analistas atentos à qualidade dos grãos e aos impactos do clima sobre a safra. A combinação de maturação desuniforme, chuvas em áreas produtoras e episódios de granizo acende alerta para perdas de qualidade e possível reflexo nos preços.

O que aconteceu

Levantamentos de mercado indicam que a colheita de café no país está em andamento, porém com percentual colhido inferior à média dos últimos anos para o mesmo período, especialmente nas áreas de arábica.[2][9] O avanço é gradual, com ritmo mais lento em algumas regiões devido às condições climáticas e à necessidade de manejo mais seletivo dos talhões.

Nas principais praças produtoras de arábica, técnicos relatam maturação desuniforme dos frutos, o que força o produtor a decidir entre atrasar a colheita para esperar mais frutos maduros ou antecipar o trabalho, aceitando maior presença de grãos verdes e defeituosos.[3] Esse cenário aumenta custo operacional e exige mais critério na escolha da estratégia de colheita.

Além disso, episódios de chuva em estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, e relatos de granizo em áreas pontuais, têm dificultado o andamento dos trabalhos e trazem risco de fermentação indesejada, queda de frutos e danos físicos aos grãos.[5][6]

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Por que importa para o agro

A qualidade do café é determinante para o preço recebido pelo produtor. Safras com mais grãos defeituosos, brocados ou mal beneficiados tendem a ser vendidas com deságio, reduzindo a renda, mesmo em anos de boa produtividade. Em algumas regiões, há preocupação com aumento do volume de café destinado a bebidas inferiores, com impacto direto nos diferenciais pagos por qualidade.

No mercado internacional, o Brasil é referência em volume e também em cafés especiais. Quando o clima pressiona a qualidade, o país pode perder espaço em nichos de maior valor agregado, enquanto a indústria busca origens alternativas ou mistura diferentes lotes para manter padrões de sabor. Isso afeta cooperativas, exportadores e toda a cadeia de torrefação.

Dados e contexto

Instituições como Conab e Embrapa acompanham de perto o desempenho da safra de café, destacando a importância do manejo adequado durante a colheita e pós-colheita para preservar qualidade, sobretudo em anos de clima mais irregular.

Análises recentes do Cepea apontam que chuvas em momentos críticos da colheita podem comprometer a qualidade dos grãos e atrasar o cronograma, aumentando o risco de perda por fermentação e deterioração na lavoura.[5] Em áreas afetadas por granizo, além da queda de produtividade, há maior presença de grãos quebrados e chochos, com reflexo direto na classificação comercial.[6]

Nos últimos anos, o setor já vinha lidando com forte volatilidade de preços. Em períodos de oferta maior de café de baixa qualidade, o mercado tende a punir esses lotes, enquanto cafés bem preparados e com bons resultados de bebida mantêm prêmios mais firmes, tanto no mercado interno quanto nas exportações.[7][9]

Produtores que investem em colheita seletiva, secagem adequada e armazenamento correto conseguem mitigar parte dos efeitos do clima adverso, mas isso demanda estrutura, planejamento e, muitas vezes, acesso a crédito e assistência técnica.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o ponto-chave será acompanhar o ritmo da colheita, a ocorrência de novas chuvas e eventuais episódios de frio intenso ou geadas, que podem afetar não só a safra atual, mas também a próxima formação de ramos e floradas.[3][4] Produtores devem ajustar estratégias de colheita e pós-colheita para preservar qualidade, enquanto o mercado ficará atento à proporção de cafés finos e de bebida inferior, fator que pode influenciar diferenciais de preço internos, contratos futuros e a competitividade do café brasileiro nos embarques.

Fontes

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