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El Niño eleva risco para o trigo e pode cortar produção em 20%

Itaú BBA vê colheita de trigo 20% menor na safra 2026/27, com mais chuva, doenças e risco de perda de qualidade no fim do ciclo.

24 de junho de 2026 3 min de leitura
El Niño eleva risco para o trigo e pode cortar produção em 20%

O El Niño voltou a colocar pressão sobre a safra de trigo no Brasil. O Itaú BBA projeta queda de 20% na produção nacional da temporada 2026/27, com colheita estimada em 6,2 milhões de toneladas. O impacto importa porque afeta renda do produtor, qualidade do grão e oferta para a indústria moageira.

O que aconteceu

Segundo o relatório do Itaú BBA, a combinação de menor área plantada e produtividade mais baixa deve reduzir a colheita em relação à safra anterior. A análise do banco cita estimativas da Conab de recuo de 13,4% na área e queda de 7,6% na produtividade.

O principal risco está na etapa final do ciclo. Com mais chuvas, aumenta a chance de doenças na lavoura e de perda de qualidade do grão na pré-colheita e na colheita, justamente quando o trigo define seu valor comercial.

A mudança no cenário climático também afeta a decisão de plantio. Em regiões como o Sul, o produtor tende a ficar mais cauteloso diante de margens apertadas e maior incerteza sobre rendimento e padrão industrial do cereal.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o problema não é só colher menos. O trigo com qualidade inferior pode perder preço, exigir mais manejo fitossanitário e elevar o custo por saca produzida. Em um cenário de chuvas mais frequentes, cresce o risco de giberela e de germinação na espiga.

Para a cadeia, a redução da oferta pressiona a indústria e pode aumentar a necessidade de importação. Como o Brasil já depende do mercado externo para complementar o consumo interno, uma safra menor tende a mexer com preço, logística e estratégia de compra das moinhos.

Dados e contexto

IndicadorDado citado
Produção projetada pelo Itaú BBA**6,2 milhões de toneladas**
Variação esperada da produção**-20%**
Área plantada, segundo a Conab**-13,4%**
Produtividade, segundo a Conab**-7,6%**

O ponto central é a combinação entre clima e economia. Com rentabilidade apertada, muitos produtores reduzem investimento ou área. Com clima mais úmido, sobem as perdas por doença e a chance de desvalorização do grão.

O trigo é uma cultura sensível à janela de colheita. Quando a chuva se prolonga na fase final, o impacto aparece na qualidade industrial, no PH e na aceitação comercial do lote.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o mercado deve acompanhar três fatores: avanço do plantio, comportamento das chuvas no Sul e evolução das doenças na lavoura. Se o cenário úmido persistir, a pressão sobre qualidade e produtividade pode aumentar ainda mais. Se houver boa execução de manejo e clima menos adverso na reta final, parte do prejuízo pode ser reduzida.

Fontes

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