El Niño eleva risco para o trigo e pode cortar produção em 20%
Itaú BBA vê colheita de trigo 20% menor na safra 2026/27, com mais chuva, doenças e risco de perda de qualidade no fim do ciclo.
O El Niño voltou a colocar pressão sobre a safra de trigo no Brasil. O Itaú BBA projeta queda de 20% na produção nacional da temporada 2026/27, com colheita estimada em 6,2 milhões de toneladas. O impacto importa porque afeta renda do produtor, qualidade do grão e oferta para a indústria moageira.
O que aconteceu
Segundo o relatório do Itaú BBA, a combinação de menor área plantada e produtividade mais baixa deve reduzir a colheita em relação à safra anterior. A análise do banco cita estimativas da Conab de recuo de 13,4% na área e queda de 7,6% na produtividade.
O principal risco está na etapa final do ciclo. Com mais chuvas, aumenta a chance de doenças na lavoura e de perda de qualidade do grão na pré-colheita e na colheita, justamente quando o trigo define seu valor comercial.
A mudança no cenário climático também afeta a decisão de plantio. Em regiões como o Sul, o produtor tende a ficar mais cauteloso diante de margens apertadas e maior incerteza sobre rendimento e padrão industrial do cereal.
Por que importa para o agro
Para o produtor, o problema não é só colher menos. O trigo com qualidade inferior pode perder preço, exigir mais manejo fitossanitário e elevar o custo por saca produzida. Em um cenário de chuvas mais frequentes, cresce o risco de giberela e de germinação na espiga.
Para a cadeia, a redução da oferta pressiona a indústria e pode aumentar a necessidade de importação. Como o Brasil já depende do mercado externo para complementar o consumo interno, uma safra menor tende a mexer com preço, logística e estratégia de compra das moinhos.
Dados e contexto
| Indicador | Dado citado |
|---|---|
| Produção projetada pelo Itaú BBA | **6,2 milhões de toneladas** |
| Variação esperada da produção | **-20%** |
| Área plantada, segundo a Conab | **-13,4%** |
| Produtividade, segundo a Conab | **-7,6%** |
O ponto central é a combinação entre clima e economia. Com rentabilidade apertada, muitos produtores reduzem investimento ou área. Com clima mais úmido, sobem as perdas por doença e a chance de desvalorização do grão.
O trigo é uma cultura sensível à janela de colheita. Quando a chuva se prolonga na fase final, o impacto aparece na qualidade industrial, no PH e na aceitação comercial do lote.
O que observar daqui pra frente
Nos próximos meses, o mercado deve acompanhar três fatores: avanço do plantio, comportamento das chuvas no Sul e evolução das doenças na lavoura. Se o cenário úmido persistir, a pressão sobre qualidade e produtividade pode aumentar ainda mais. Se houver boa execução de manejo e clima menos adverso na reta final, parte do prejuízo pode ser reduzida.
Fontes
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