Sustentabilidade

El Niño pode ampliar extremos climáticos e elevar riscos para o agro brasileiro

Fenômeno pode aumentar chuvas no Sul e provocar seca, calor e irregularidade climática em outras regiões do Brasil.

28 de outubro de 2026 3 min de leitura
El Niño pode ampliar extremos climáticos e elevar riscos para o agro brasileiro

O El Niño pode intensificar eventos climáticos extremos no Brasil, com efeitos diferentes entre as regiões. A tendência é de aumento das chuvas no Sul e maior risco de seca, calor e precipitações irregulares em áreas do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste. O cenário exige planejamento antecipado no campo.

O que aconteceu

O fenômeno altera a circulação atmosférica e modifica a distribuição de chuvas e temperaturas. No Brasil, os efeitos não são uniformes: enquanto o Sul costuma registrar maior volume de precipitação, outras regiões podem enfrentar atrasos no início da estação chuvosa e períodos prolongados de deficiência hídrica.

A Embrapa aponta que os riscos incluem chuvas acima da média, tempestades severas, ondas de calor e irregularidade na distribuição da água. A intensidade dos impactos depende da duração do fenômeno, da localização da propriedade, da cultura e do estágio do ciclo produtivo.

No Sul, o excesso de água pode provocar alagamentos, erosão, perda de nutrientes, doenças e dificuldade para realizar plantio, pulverização e colheita. No Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a preocupação principal é a redução das chuvas, com efeitos sobre lavouras, pastagens, reservatórios e logística.

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Por que importa para o agro

A variabilidade climática afeta diretamente a produtividade e os custos de produção. Chuvas intensas podem compactar e erodir o solo, destruir estradas internas e atrasar operações. Já a falta de água reduz o potencial produtivo, compromete a formação de grãos e aumenta a necessidade de replantio ou irrigação.

Na soja, por exemplo, o risco varia conforme a região. No Sul, o excesso de umidade favorece doenças e perdas de solo. No Norte e no Nordeste, a irregularidade das precipitações pode dificultar a emergência das plantas e aumentar o intervalo entre as chuvas. Pecuária, fruticultura, aquicultura e transporte também ficam expostos.

Dados e contexto

  • A Embrapa identifica cinco riscos principais: atraso ou irregularidade das chuvas, déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, precipitações acima da média e tempestades severas.
  • No Sul, o El Niño tende a favorecer chuvas mais intensas e concentradas, elevando os riscos de encharcamento, erosão e doenças.
  • Em partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a possibilidade de chuva abaixo da média aumenta a pressão sobre o armazenamento de água e o planejamento da safra.
  • O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) deve orientar épocas de semeadura e escolhas de cultivares.
A resposta não depende apenas da previsão de chuva acumulada. A distribuição das precipitações, a duração dos períodos secos e a ocorrência de eventos extremos são determinantes para o resultado da safra.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar atualizações meteorológicas, ajustar o calendário ao Zarc, escalonar a semeadura e diversificar ciclos de cultivares. A formação de palhada, a conservação do solo, a manutenção de terraços e a revisão de drenagem e reservatórios reduzem perdas. Também é necessário monitorar doenças, condições das estradas e disponibilidade de água para animais e lavouras.

Fontes

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