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El Niño pode intensificar calor, seca e temporais na primavera de 2026

Fenômeno deve reforçar o contraste climático no Brasil, com chuva acima da média no Sul e calor e seca no Centro-Norte.

22 de setembro de 2026 4 min de leitura
El Niño pode intensificar calor, seca e temporais na primavera de 2026

A primavera de 2026 começa sob influência de um El Niño muito forte, com potencial para aumentar o calor, reduzir as chuvas no Centro-Norte e elevar o risco de temporais no Sul. O cenário pode afetar o plantio, o desenvolvimento das lavouras, as pastagens e o planejamento das operações agrícolas.

O que aconteceu

O fenômeno climático está se fortalecendo no Oceano Pacífico Equatorial. De acordo com o INPE, o INMET e a Funceme, há probabilidade de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027. Os modelos também indicam alta chance de o evento atingir intensidade muito forte entre a primavera e o começo do verão.

A distribuição das chuvas deve ser irregular. A Região Sul tende a registrar precipitações acima da média, enquanto Norte, Nordeste e áreas do Centro-Oeste e Sudeste podem enfrentar períodos mais secos. A temperatura deve ficar acima da média em grande parte do país.

No Sul, a combinação entre calor e umidade pode favorecer pancadas intensas, temporais, granizo e rajadas de vento. No Centro-Norte, a menor regularidade das chuvas pode atrasar o início do período úmido e aumentar a ocorrência de ondas de calor, baixa umidade e incêndios.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o principal risco é a falta de sincronia entre o calendário agrícola e a disponibilidade de água. No Centro-Oeste, o atraso das chuvas pode dificultar a implantação da soja e reduzir a janela para o milho de segunda safra. Também pode aumentar a necessidade de replantio e elevar os custos com irrigação e manejo.

No Sul, o excesso de chuva pode interromper o plantio, dificultar a entrada de máquinas e provocar erosão, encharcamento e perdas localizadas. Em áreas de produção de grãos, hortaliças e frutas, temporais podem causar danos físicos às plantas e comprometer a qualidade no momento da colheita.

A pecuária também fica exposta. No Centro-Norte, o calor e a redução das chuvas podem limitar a oferta de forragem e pressionar a recuperação das pastagens. No Sul, o excesso de umidade pode prejudicar o manejo, o trânsito de animais e a conservação das áreas de produção.

Dados e contexto

  • O INPE aponta 100% de probabilidade de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027.
  • A nota técnica conjunta de INPE, INMET, Funceme e Censipam indicou probabilidade superior a 80% de configuração do fenômeno no segundo semestre de 2026.
  • Para setembro, outubro e novembro, a previsão indica chuvas acima da média em áreas do Sul e abaixo da média no Centro-Norte.
  • Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo aparecem entre as áreas com maior probabilidade de precipitação abaixo da média.
  • No Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem concentrar os maiores volumes de chuva acima do normal no trimestre outubro-dezembro.
  • A NOAA projeta mais de 90% de chance de um El Niño muito forte no outono e inverno do Hemisfério Norte de 2026, com possibilidade de um dos eventos mais intensos desde 1950.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar previsões de curto e médio prazo antes de definir plantio, aplicação de defensivos e entrada de máquinas. No Centro-Norte, a prioridade é preservar água, escalonar a semeadura e revisar o manejo de solo. No Sul, é necessário manter canais de drenagem, reduzir a exposição a temporais e monitorar alertas de chuva intensa, vento e granizo.

Fontes

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