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El Niño pode reduzir safra de soja do Brasil em 10%

Estudo da Serasa Experian estima perda de até 17,6 milhões de toneladas de soja em cenário de El Niño forte na safra 2026/27.

02 de novembro de 2026 3 min de leitura
El Niño pode reduzir safra de soja do Brasil em 10%

A safra brasileira de soja 2026/27 pode cair de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas caso ocorra um El Niño forte. A projeção é da Serasa Experian e indica uma perda potencial de 17,6 milhões de toneladas, com efeitos sobre a renda dos produtores, os preços e o abastecimento da cadeia de grãos.

O que aconteceu

O estudo da Serasa Experian analisou o histórico de produtividade das principais regiões produtoras durante episódios do fenômeno climático. O cenário considera redução de aproximadamente 10% na produção nacional em relação a uma condição climática neutra.

O Centro-Oeste concentra os maiores riscos. Mato Grosso poderia perder 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás teria redução estimada em 4 milhões de toneladas. A combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas pode prejudicar o estabelecimento das lavouras, o enchimento dos grãos e a produtividade final.

A estimativa representa um cenário de risco, não uma previsão definitiva. O impacto dependerá da intensidade, da duração e da distribuição regional do El Niño ao longo do ciclo agrícola.

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Por que importa para o agro

Uma quebra dessa dimensão reduziria a oferta disponível para exportação, esmagamento e produção de farelo e óleo. O mercado poderia reagir com preços mais firmes, mas o ganho potencial na cotação não necessariamente compensaria a perda de volume, sobretudo para produtores com custos elevados ou baixa produtividade.

A menor produção também afetaria tradings, indústrias, transportadoras, armazéns e consumidores de derivados de soja. Regiões com maior dependência da oleaginosa podem enfrentar queda no fluxo de cargas e menor movimentação nos corredores de exportação.

Para o produtor, o clima reforça a necessidade de planejamento. A escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura, o monitoramento de umidade e a proteção financeira podem reduzir a exposição ao risco.

Dados e contexto

A projeção da Serasa contrasta com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima 181,6 milhões de toneladas para a soja em 2026/27, alta de 0,7% sobre a safra anterior. A Conab calcula área plantada de 49,3 milhões de hectares, avanço de 1,4%.

IndicadorEstimativa
Produção em cenário neutro181,2 milhões t
Produção com El Niño forte163,6 milhões t
Redução potencial17,6 milhões t
Perda estimada em Mato Grosso9,7 milhões t
Perda estimada em Goiás4 milhões t

A diferença entre os números mostra que as projeções ainda dependem da evolução do clima e das condições de plantio. A Conab também aponta crescimento moderado da área e leve redução da produtividade média, em razão da base elevada da safra anterior e das incertezas climáticas.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar as atualizações meteorológicas, o calendário de chuvas e os boletins da Conab e de órgãos estaduais. Também será necessário avaliar o ritmo de plantio, a emergência das lavouras e as revisões de produtividade. No mercado, preços, prêmios de exportação e custos de frete serão os principais indicadores de transmissão de uma eventual quebra para a cadeia.

Fontes

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