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El Niño volta ao radar e acende alerta para café, arroz e outros alimentos

Fenômeno El Niño pode reduzir a produção de café, arroz e grãos e pressionar os preços dos alimentos no Brasil entre 2026 e 2027.

07 de julho de 2026 4 min de leitura
El Niño volta ao radar e acende alerta para café, arroz e outros alimentos

O retorno do fenômeno El Niño aumenta o risco de quebra de safra em culturas como café, arroz, milho, frutas e leite, com potencial de alta nos preços dos alimentos entre o fim de 2026 e 2027. Economistas e analistas de mercado já falam em revisão para cima das projeções de inflação, em um cenário de oferta menor, estoques apertados e maior volatilidade climática.

O que aconteceu

Meteorologistas indicam elevada probabilidade de formação de um El Niño de intensidade moderada a forte entre o segundo semestre de 2026 e 2027, com alteração relevante nos padrões de chuva e temperatura no Brasil. O fenômeno tende a provocar secas mais intensas no Norte e Nordeste e chuvas acima da média no Sul, com veranicos e precipitações irregulares em partes do Sudeste e Centro-Oeste.

Especialistas em agro e economia alertam que a combinação de clima mais extremo, estoques globais de grãos mais baixos e custos de produção elevados abre espaço para alta de preços. Consultorias ligadas ao setor apontam maior risco para culturas de safra anual, como milho, trigo, arroz e parte das frutas, e para o café arábica, muito sensível à irregularidade hídrica no período de florada.

No caso do arroz gaúcho, já há preocupação adicional: produtores vêm de anos de forte pressão climática e financeira, e um El Niño chuvoso pode dificultar manejo, colheita e qualidade de grão nas áreas de várzea, ampliando o risco de redução de oferta e aperto de caixa na região Sul.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o El Niño significa mais incerteza na produtividade e no custo. Lavouras de sequeiro em regiões com previsão de estiagem podem exigir reforço em irrigação, ajuste de janela de plantio e maior gasto com manejo para reduzir perdas. No Sul, excesso de chuva pode atrasar operações de campo, favorecer doenças e exigir mais investimento em defensivos.

Do lado de mercado, menor produção de café, arroz, milho e frutas pode segurar a oferta interna, reduzir excedentes exportáveis e sustentar preços em patamares mais altos. Em cadeias como leite e carnes, pastagens mais secas e custos de suplementação elevados tendem a pressionar margens, com repasse gradual ao consumidor.

Dados e contexto

Instituições técnicas e órgãos públicos vêm reforçando o alerta para os impactos do El Niño:

Indicador / InstituiçãoDestaque recente
**NOAA** (EUA)Probabilidade superior a **80%** de El Niño ativo até o fim de 2026, com temperatura acima da média em diversas regiões
**INMET**Tendência de **redução de chuvas** em Norte/Nordeste e aumento de precipitação no Sul durante eventos de El Niño
**Conab**El Niño historicamente associado a **produtividade abaixo da média** em culturas de inverno no Sul, como trigo e aveia
Consultorias agroRisco de **perda de até 25%** em algumas produções se o fenômeno vier mais intenso, especialmente em grãos e café

Na prática, o padrão típico é:

  • Norte e Nordeste: maior chance de estiagens e calor, afetando grãos, frutas e pecuária de corte e leite.
  • Sul: chuvas acima da média, com impacto direto em arroz irrigado, trigo e parte da pecuária.
  • Sudeste e Centro-Oeste: chuvas irregulares e veranicos, sensíveis para café, cana-de-açúcar, soja e milho.
Em ciclos anteriores de El Niño, órgãos como Embrapa e Conab registraram quedas de produtividade e aumento de custos de manejo em diversas culturas, reforçando a necessidade de planejamento climático e financeiro. A pressão adicional sobre fertilizantes e defensivos em anos recentes amplia o desafio, especialmente para pequenos e médios produtores.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar de perto os boletins climáticos de INMET, Embrapa e serviços privados, ajustando calendário de plantio, cultivares e estratégias de irrigação. A evolução da intensidade do El Niño, os níveis de estoque de grãos no Brasil e no exterior e as revisões de projeção de inflação pelo governo e mercado serão decisivos para medir riscos e oportunidades em preço. Quem conseguir proteger margem com seguro rural, diversificação de culturas e contratos bem estruturados pode transformar um cenário de maior volatilidade em ganho competitivo.

Fontes

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