Mercado

Etanol volta a subir nas usinas de São Paulo e reforça poder da cana na safra

Etanol hidratado e anidro registram alta nas usinas paulistas, puxados por oferta mais justa e demanda firme, com impacto direto em produtores e distribuidoras.

27 de junho de 2026 4 min de leitura
Etanol volta a subir nas usinas de São Paulo e reforça poder da cana na safra

O etanol voltou a subir nas usinas de São Paulo, com avanço tanto do hidratado quanto do anidro, segundo dados do Cepea/Esalq. A recuperação vem após semanas de ajustes e mostra um mercado mais firme, influenciado pela oferta ajustada e pela relação de competitividade com a gasolina. O movimento importa para usinas, produtores de cana e distribuidoras, que precisam calibrar produção, estoques e estratégias comerciais.

O que aconteceu

Levantamento recente do Cepea/Esalq/USP aponta alta do etanol nas usinas paulistas, com valorização do hidratado e do anidro em comparação à semana anterior.[4] Os preços se aproximam de patamares vistos em outros momentos da safra, em linha com uma oferta menos folgada e maior seletividade na venda por parte das usinas.[1][8]

O etanol hidratado, usado diretamente nos veículos flex, vem alternando movimentos de queda e alta nas últimas semanas, mas agora volta a ganhar força, após recuos observados no início de junho.[2][3] Já o anidro, misturado à gasolina, acompanha esse movimento com variação positiva, reforçando a recuperação do mercado.[1][4]

Por que importa para o agro

Para o produtor de cana-de-açúcar, preços de etanol mais firmes significam melhor remuneração indireta, já que muitas usinas priorizam o biocombustível na safra, de olho em margens mais atrativas que o açúcar em determinados momentos.[8] Esse cenário pode influenciar contratos de fornecimento e decisões de manejo, especialmente em regiões com forte presença de usinas focadas em etanol.

No lado industrial, a alta dá sinal para gestão de estoques e ritmo de moagem. Usinas podem segurar produto no mercado spot à espera de patamares melhores, enquanto distribuidoras acompanham de perto a competitividade frente à gasolina, que ainda é afetada por políticas tributárias e eventuais subsídios ao combustível fóssil.[7] O equilíbrio entre preço na usina e na bomba é chave para manter o etanol atraente ao consumidor.

Dados e contexto

Nas últimas semanas, o mercado paulista passou por ajustes relevantes:

  • Hidratado chegou a cair 0,67%, de R$ 2,2315 para R$ 2,2166 por litro.[2][3]
  • Anidro recuou 2,11%, de R$ 2,5650 para R$ 2,5108 por litro.[2][3]
  • Em movimento posterior, o hidratado subiu 0,37%, para R$ 2,2247 por litro.[1]
  • O anidro avançou 0,70%, para R$ 2,5284 por litro nas usinas paulistas.[1]
  • Outro levantamento mostrou alta de 0,84% no hidratado (R$ 2,2429 para R$ 2,2618 por litro) e de 0,78% no anidro em São Paulo.[4]
Esses dados reforçam um quadro de volatilidade semanal, típico do início de safra, quando usinas ajustam mix de produção entre açúcar e etanol conforme preços e expectativa de demanda.[8] Em períodos de oferta mais restrita, como em dezembro da safra 2025/26, o hidratado chegou a R$ 2,90 por litro, registrando nove semanas consecutivas de alta.[6]

A competitividade frente à gasolina segue como fator central. Pacotes de subsídios à gasolina e desonerações de tributos, como PIS/Cofins, pressionam o etanol a buscar descontos adicionais para se manter atraente nas bombas.[7] Isso coloca o setor em permanente ajuste de preços e margens.

O que observar daqui pra frente

Nas próximas semanas, o agro deve acompanhar de perto o mix de produção das usinas, a política de preços dos combustíveis fósseis e o comportamento da demanda interna. Se a gasolina voltar a ganhar subsídios relevantes, o etanol pode ser obrigado a ceder parte da margem para preservar participação no mercado. Por outro lado, caso a oferta de cana se mantenha ajustada e as usinas sigam priorizando etanol, há espaço para preços menos voláteis e oportunidade de planejamento mais claro para produtores e indústrias.

Fontes

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