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Governo defende diálogo com EUA para evitar tarifas sobre o agro brasileiro

Ministro Dario Durigan quer negociação setorial com os EUA para reduzir risco de tarifas sobre o agro e preservar competitividade das exportações brasileiras.

09 de junho de 2026 4 min de leitura
Governo defende diálogo com EUA para evitar tarifas sobre o agro brasileiro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a construção de um diálogo setorial com os Estados Unidos para reduzir o risco de novas tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo o agronegócio. A estratégia é tentar resolver tensões comerciais por negociação direta, preservando o acesso ao mercado americano e a competitividade das exportações do Brasil.

O que aconteceu

Durigan afirmou que o governo trabalha para organizar uma agenda específica com os EUA, envolvendo setores mais sensíveis, em vez de esperar por medidas unilaterais de aumento de tarifas. A fala ocorre em meio ao avanço de debates em Washington sobre políticas industriais, defesa da produção local e possíveis ajustes tarifários para alguns países.

Segundo o ministro, a prioridade é mostrar que o Brasil é um parceiro relevante, com cadeias produtivas integradas e papel estratégico em temas como segurança alimentar, energia e transição climática. A ideia é usar essa posição para negociar antes que eventuais medidas restritivas sejam definidas pelo governo americano ou pelo Congresso.

Durigan também destacou que o governo brasileiro monitora de perto a movimentação tarifária global, sobretudo após a elevação de tarifas dos EUA contra produtos chineses em setores como veículos elétricos, tecnologia e energia limpa. O receio é que novos pacotes de proteção se expandam para outros países e setores, atingindo exportações agrícolas e industriais brasileiras.

Por que importa para o agro

O mercado americano é um dos principais destinos de produtos do agro brasileiro, especialmente carnes, açúcar, etanol, suco de laranja, café e produtos florestais. Tarifas adicionais ou barreiras técnicas podem reduzir margens, deslocar compras para concorrentes e afetar diretamente preços pagos ao produtor.

Além disso, o movimento dos EUA tende a influenciar outros grandes compradores e blocos, como União Europeia e Japão. Se o Brasil não se antecipar, pode enfrentar combinação de novas tarifas, regras ambientais mais rígidas e barreiras sanitárias, pressionando a rentabilidade da cadeia agroexportadora.

Dados e contexto

  • Os EUA figuram entre os principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro, ao lado de China e União Europeia, segundo dados do Ministério da Agricultura (MAPA) e da Secex.
  • Em 2023, o agro respondeu por cerca de quadro a cada dez dólares exportados pelo Brasil, de acordo com a CNA e o MAPA, com forte peso de soja, carnes, café, açúcar e celulose.
  • Disputas comerciais recentes mostram a escalada de protecionismo:
- Tarifas adicionais dos EUA contra a China em tecnologia, aço, alumínio e, mais recentemente, veículos elétricos. - União Europeia avançando com o regulamento antidesmatamento, que afeta soja, carne bovina, café, cacau e madeira.
  • Para o Brasil, qualquer alta de tarifa em grandes mercados significa rever estratégia de preços, logística e destino da produção, com impacto direto em renda no campo.
IndicadorRelevância para o agro brasileiro
Participação do agro nas exportaçõesAproximadamente 40% do total exportado pelo país

| Principais destinos | China, EUA, União Europeia | | Principais produtos | Soja, carnes, açúcar, café, celulose |

A aposta em diálogo setorial permite ao Brasil tentar enquadrar seus produtos em regimes preferenciais, discutir equivalência de regras ambientais e sanitárias e evitar que o agro seja incluído em listas de produtos sujeitos a novas tarifas.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar a evolução das conversas entre Brasil e EUA e eventuais anúncios de tarifas, sobretaxas ou novas exigências ambientais e sanitárias. Mudanças nesse cenário podem afetar câmbio, prêmio pago nas exportações e a atratividade de culturas voltadas ao mercado externo, exigindo do setor maior atenção à diversificação de destinos e à adequação às normas de sustentabilidade exigidas pelos grandes importadores.

Fontes

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