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Juros futuros recuam após resultado do primeiro turno

Taxas futuras caem mais de 1 ponto percentual após o primeiro turno, com investidores projetando cenário eleitoral favorável à queda dos juros.

05 de outubro de 2026 4 min de leitura
Juros futuros recuam após resultado do primeiro turno

As taxas dos juros futuros caíram mais de 1 ponto percentual após o resultado do primeiro turno das eleições nacionais. O movimento refletiu a reação dos investidores à vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva e a uma possível mudança na trajetória da política econômica. A queda reduz, no curto prazo, o custo esperado de financiamento e melhora as condições para ativos de risco.

O que aconteceu

Na segunda-feira (5), os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de prazos mais longos registraram as maiores baixas. A taxa do DI para janeiro de 2028 recuou de 13,509% para 12,665% ao ano, queda de 84 pontos-base. Já o DI para janeiro de 2029 caiu 114 pontos-base, para 12,61% ao ano.

A reação também apareceu no mercado de títulos públicos. As taxas dos papéis prefixados, que estavam próximas de 14%, recuaram para a faixa de 13%. O Ibovespa atingiu novo recorde, enquanto o dólar e os juros futuros perderam força. O movimento, porém, representa uma reprecificação imediata do mercado, não uma garantia de continuidade.

Nos contratos de curto prazo, os investidores passaram a considerar a possibilidade de novos cortes da Selic em novembro. A curva chegou a precificar cerca de 15% de chance de redução de 0,50 ponto percentual, contra 85% de probabilidade de corte de 0,25 ponto.

Por que importa para o agro

A queda dos juros futuros pode reduzir o custo de linhas de crédito para produtores, cooperativas e empresas de insumos. O efeito tende a aparecer primeiro em novas contratações, renegociações e operações atreladas a taxas de mercado. Investimentos em armazenagem, irrigação, máquinas e infraestrutura também podem ganhar viabilidade financeira.

O impacto sobre o agro não é automático. A taxa efetiva paga pelo produtor depende do banco, do risco da operação, das garantias e da fonte de recursos. Crédito rural oficial, com recursos controlados e equalização, segue regras próprias. Além disso, uma eventual queda do dólar pode pressionar as receitas de exportadores, embora reduza o custo de insumos importados, como fertilizantes e defensivos.

Dados e contexto

  • O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano em setembro, em corte de 0,25 ponto percentual.
  • O Relatório de Inflação do Banco Central projetou Selic de 13,75% no fim de 2026 e 12% em 2027.
  • O resultado do primeiro turno mostrou Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula.
  • O DI para janeiro de 2028 caiu 84 pontos-base na sessão de 5 de outubro.
  • O DI para janeiro de 2029 recuou 114 pontos-base, para 12,61% ao ano.
O Banco Central continua responsável pela definição da Selic. Os juros futuros refletem expectativas para inflação, contas públicas, atividade econômica e política monetária. Por isso, podem mudar rapidamente após pesquisas eleitorais, declarações de candidatos, dados fiscais ou decisões do Copom.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar a confirmação do movimento nos próximos pregões, a trajetória do dólar e as novas pesquisas eleitorais. Caso as taxas permaneçam menores, pode haver oportunidade para contratar crédito ou alongar dívidas, desde que o fluxo de caixa comporte a operação. A principal ameaça é uma reversão causada por incerteza fiscal, inflação persistente ou aumento da volatilidade política.

Fontes

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