Mercado

Lindt troca CEO após queda nas vendas e alta do cacau

Fabricante suíça de chocolates substitui CEO após reduzir duas vezes a previsão de vendas de 2026, pressionada pelo cacau caro e pelo consumo fraco na Europa.

25 de outubro de 2026 3 min de leitura
Lindt troca CEO após queda nas vendas e alta do cacau

A fabricante suíça de chocolates Lindt & Sprüngli trocou o presidente-executivo após reduzir duas vezes a previsão de vendas para 2026. A empresa enfrenta a combinação de cacau mais caro e consumo menor de chocolate na Europa. O movimento mostra como a alta da matéria-prima já afeta decisões estratégicas na indústria global.

O que aconteceu

A Lindt anunciou a saída de Adalbert Lechner do cargo de CEO. Dieter Weisskopf, que já comandou a companhia, assumiu interinamente com efeito imediato. A empresa pretende escolher um substituto definitivo no segundo trimestre de 2027.[1]

A pressão aumentou após a revisão das projeções de vendas para 2026. Segundo a companhia, o desempenho mais fraco na Europa ocorreu em um cenário de menor consumo e custos elevados para a fabricação de chocolates premium.[1]

O preço do cacau chegou a 4.356 libras por tonelada em 16 de outubro, ante 2.057 libras em fevereiro. Em valores convertidos na reportagem, a cotação passou de aproximadamente R$ 13,8 mil para R$ 29,2 mil por tonelada.[1]

Por que importa para o agro

O cacau representa uma parcela relevante do custo industrial do chocolate. Quando a matéria-prima sobe rapidamente, fabricantes precisam escolher entre repassar o aumento ao consumidor, reduzir margens ou alterar formulações e tamanhos de embalagem.

Para o produtor, preços internacionais elevados podem melhorar a receita, mas também aumentam a exposição à volatilidade. A indústria pode reduzir compras, adiar contratos ou buscar alternativas de fornecimento caso o consumo continue enfraquecido.

A decisão da Lindt também sinaliza que o problema não está restrito às empresas de menor porte. Uma companhia premium, com maior capacidade de repasse de preços, revisou suas projeções e alterou o comando executivo após a deterioração do mercado europeu.[1]

Dados e contexto

  • O preço informado para o cacau em outubro era mais que o dobro do registrado em fevereiro.[1]
  • As ações da Lindt acumulavam queda de 25% no ano, segundo a reportagem.[1]
  • A empresa reduziu duas vezes a previsão de vendas para 2026.[1]
  • Dieter Weisskopf assumiu o comando de forma interina.[1]
  • Dados do Ministério da Agricultura indicam que o valor da produção brasileira de cacau alcançou cerca de R$ 6,48 bilhões em 2023, acima dos R$ 4,16 bilhões registrados em 2020.[2]
A valorização do cacau beneficia áreas produtoras no curto prazo, mas não elimina gargalos como produtividade, doenças, clima, logística e qualidade pós-colheita. No Brasil, Bahia e Pará concentram parte importante da produção e têm papel estratégico no abastecimento da indústria nacional.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a reação dos consumidores europeus aos preços mais altos e a capacidade das indústrias de repassar custos. Para produtores, contratos, qualidade das amêndoas, produtividade e gestão de risco serão decisivos. Para a indústria, estoques, origem do cacau e eficiência na formulação podem definir margens até 2027.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo