Mercadante defende ação do Estado para conter impacto do petróleo
Aloizio Mercadante defende intervenção do Estado para enfrentar alta do petróleo e proteger economia, com foco em combustíveis e transição energética.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, defendeu que o Estado atue de forma mais ativa para enfrentar os efeitos da alta do petróleo sobre combustíveis, inflação e crescimento. A avaliação é que choques externos, como conflitos geopolíticos e decisões da Opep+, exigem instrumentos públicos para suavizar impactos sobre transporte, energia e cadeias produtivas – ponto sensível para o agronegócio.
O que aconteceu
Mercadante afirmou que o petróleo continua sendo um fator central de instabilidade global e que o Brasil não pode depender apenas da lógica de mercado para definir preços de combustíveis. Para ele, o Estado deve usar bancos públicos, regulação e política energética para amortecer choques e proteger a competitividade da economia.
O presidente do BNDES citou a necessidade de políticas de longo prazo em refino, gás natural e transição para fontes renováveis. Defendeu investimento em infraestrutura e diversificação da matriz energética para reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações do barril no mercado internacional.
Ele também destacou que a alta do petróleo encarece fretes, energia e insumos industriais, com efeito direto na inflação. Nesse cenário, a atuação coordenada entre política energética, fiscal e de crédito estatal é apresentada como forma de evitar que o custo do choque recaia totalmente sobre consumidores e produtores.
Por que importa para o agro
O agronegócio é altamente sensível ao preço do diesel e de derivados do petróleo. Frete rodoviário, irrigação, secagem de grãos, maquinário e fertilizantes dependem de energia fóssil em maior ou menor grau. Uma estratégia de Estado para suavizar choques pode reduzir volatilidade nos custos de produção e no escoamento da safra.
Se o BNDES ampliar crédito para logística, biocombustíveis, energias renováveis e modernização de frota, o produtor rural pode ganhar em eficiência e previsibilidade. Ao mesmo tempo, qualquer tentativa de controle artificial de preços sem sustentabilidade fiscal pode gerar distorções futuras, exigindo atenção do setor às regras e à duração das medidas.
Dados e contexto
A volatilidade do petróleo tem impacto direto em combustíveis e inflação, o que repercute nos custos do agro e na renda do consumidor:
- O petróleo tipo Brent oscilou entre cerca de US$ 75 e US$ 95 por barril em 2023, segundo dados da IEA (Agência Internacional de Energia).
- Combustíveis têm peso relevante no IPCA, medido pelo IBGE; em anos de alta do petróleo, transportes costumam puxar a inflação.
- Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), mais de 60% das cargas no Brasil seguem por rodovias, o que torna o frete muito exposto ao preço do diesel.
- Levantamentos da Conab indicam que o frete pode responder por 20% ou mais do custo de comercialização de alguns grãos em regiões distantes dos portos.
- A matriz de fertilizantes e defensivos ainda depende, em parte, de derivados de petróleo e gás natural, o que conecta o custo de insumos ao mercado de energia.
O que observar daqui pra frente
O produtor deve acompanhar se o discurso se traduzirá em linhas específicas de crédito para energia e logística, mudanças na política de preços de combustíveis e eventuais programas de amortecimento de choques. O foco é identificar medidas com sustentação fiscal e horizonte de longo prazo, que reduzam a volatilidade de custos sem criar dependência de subsídios imprevisíveis.
Fontes
Continue lendo

EUA reduzem vendas semanais de milho da safra 2025/26 para 315 mil t
USDA aponta queda nas vendas externas de milho 2025/26 dos EUA para 315 mil toneladas em uma semana, sinalizando menor ritmo de demanda no curto prazo.

Cepea: suíno vivo integrado supera independente em julho
Em julho, remuneração do suíno vivo integrado ficou acima do mercado independente, segundo Cepea, acendendo alerta para produtores sobre margem e modelo de negócio.

Demanda aquecida mantém soja valorizada no Brasil e em Chicago
Procura forte e oferta limitada seguram preços da soja no Brasil, mesmo com dólar mais fraco, apoiados pela alta em Chicago e prêmios firmes.