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Mercado da soja termina setembro travado e mira reação em outubro

Baixa negociação e resistência do produtor marcaram setembro, enquanto novos sinais de demanda e clima podem movimentar a soja em outubro.

03 de outubro de 2026 3 min de leitura
Mercado da soja termina setembro travado e mira reação em outubro

O mercado brasileiro de soja encerrou setembro com pouca negociação e participação limitada dos produtores. A retração ocorre enquanto o setor aguarda preços mais atrativos e novos sinais de demanda. Outubro pode trazer maior movimentação, especialmente com o avanço do plantio da safra 2026/27 e mudanças no cenário internacional.

O que aconteceu

A comercialização ficou lenta em várias regiões do país. O produtor manteve parte da produção armazenada e evitou novas vendas diante de preços considerados pouco estimulantes. Compradores também atuaram com cautela, reduzindo a liquidez no mercado físico.

Em Rondonópolis (MT), o preço indicativo em 30 de setembro ficou em R$ 148 por saca, com referência FOB para setembro. Em Lucas do Rio Verde (MT), as ofertas de compra estavam próximas de R$ 141 por saca, com pagamento previsto para o mesmo período.

O quadro combina oferta disponível, demanda concentrada e incertezas sobre o comportamento dos preços internacionais. A comercialização pode ganhar ritmo caso o câmbio, a Bolsa de Chicago ou os prêmios de exportação ofereçam suporte às cotações brasileiras.

Por que importa para o agro

A baixa liquidez dificulta o planejamento financeiro do produtor. Quem precisa liberar espaço nos armazéns ou cumprir compromissos de curto prazo fica mais exposto às condições oferecidas pelos compradores. Já quem tem capacidade de armazenagem pode esperar melhores oportunidades, assumindo custos e riscos adicionais.

Para tradings, esmagadoras e exportadores, o mercado travado reduz o fluxo de negócios e aumenta a necessidade de monitorar originação. A demanda externa, o ritmo dos embarques e a formação dos prêmios serão decisivos para definir o espaço de alta ou de baixa ao longo de outubro.

Dados e contexto

  • A Conab estima a safra brasileira de soja 2025/26 em 180,4 milhões de toneladas, recorde da série histórica.
  • A projeção representa alta de 5,2% sobre o ciclo anterior, com aumento de 2,7% na área plantada e ganho de 2,5% na produtividade.
  • As exportações brasileiras podem alcançar 116,2 milhões de toneladas, também em patamar recorde.
  • A Conab informou que o plantio da safra 2026/27 começou a avançar com o retorno das chuvas em regiões produtoras.
A combinação de produção elevada e exportações fortes sustenta a competitividade brasileira, mas também exige demanda consistente. Com maior disponibilidade interna, qualquer perda de ritmo nos embarques pode pressionar os preços pagos ao produtor.

O que observar daqui para frente

Em outubro, o mercado deve acompanhar o avanço do plantio no Brasil, a regularidade das chuvas, o câmbio e os dados de exportação. Também será necessário observar a demanda da China e o comportamento dos futuros em Chicago. Para o produtor, a estratégia tende a depender da necessidade de caixa, da capacidade de armazenagem e da possibilidade de dividir as vendas em diferentes momentos.

Fontes

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