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Milho brasileiro: Clima quente e seco redefine estratégias de mercado e produção na safra 2025/26

Agentes do mercado de milho voltam atenções ao clima quente e seco, com impactos potenciais na safra verão. Preços firmes em SP contrastam com pressões no Sul, enquanto exportações e estoques influenciam dinâmicas.

27 de abril de 2026 5 min de leitura
Milho brasileiro: Clima quente e seco redefine estratégias de mercado e produção na safra 2025/26

O mercado de milho no Brasil vive um momento de tensão climática, com agentes atentos aos efeitos de um cenário quente e seco que ameaça a semeadura da safra de verão 2025/26. Indicadores do Cepea registram o preço em Campinas (SP) superando os R$ 65 por saca de 60 kg, impulsionado pela retração de vendedores e demanda pontual, mas com limitações impostas por estoques elevados e chuvas irregulares no Centro-Oeste e Sul.[1][3][5]

Esse contexto reflete não apenas condições meteorológicas adversas, mas também um equilíbrio delicado entre oferta interna abundante da safra anterior e exportações robustas, que em setembro de 2025 mantiveram suporte aos valores nos portos. A Conab projeta produção nacional de 115 milhões de toneladas para 2025/26, mas ajustes podem ocorrer se o calor persistir, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores.[1]

Historicamente, variações climáticas como as atuais têm gerado volatilidade, similar ao ocorrido em 2024, quando secas parciais no Mato Grosso reduziram produtividades em até 10%. Com o USDA estimando estoques globais apertados, o Brasil, como segundo maior produtor mundial, posiciona-se como pivô em negociações internacionais.[1]

Contexto e fundamentação

O milho brasileiro acumula uma trajetória de expansão produtiva, impulsionada pela safrinha no Centro-Oeste. Dados do IBGE indicam que em 2024 a produção atingiu 122 milhões de toneladas, recorde histórico, com Mato Grosso liderando com 42 milhões de toneladas, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. A safra 2025/26 inicia sob vigilância climática, com o retorno irregular de chuvas aliviando parcialmente o Sul, mas atrasando preparações de solo no Centro-Oeste.[1][3]

A Embrapa alerta para o fenômeno La Niña, previsto para o final de 2025, que pode intensificar secas no Matopiba e Centro-Oeste, regiões responsáveis por 60% da produção nacional. Em comparação, o El Niño de 2024 favoreceu chuvas excessivas no Sul, elevando produtividades para 110 sacas/ha em média no Paraná, ante 95 sacas/ha no ano anterior. O MAPA registra que exportações brasileiras somaram 45 milhões de toneladas em 2024/25, com destino principal à China, sustentando paridade de exportação acima de R$ 70/saca nos portos.[1]

O Cepea-ESALQ/BM&FBovespa, referência para Campinas, oscilou entre R$ 62 e R$ 68/saca nas últimas semanas de 2025, com alta de 4,5% semanal em alguns momentos, contrastando com quedas no Sul devido a menor demanda interna. A Conab, em seu 10º levantamento de 2025, ajustou a estimativa para 118 milhões de toneladas, citando riscos hídricos. Internacionalmente, o USDA projeta safra americana em 380 milhões de toneladas para 2025/26, mas com estoques finais globais em 320 milhões, 5% abaixo de 2024, pressionando preços CBOT para US$ 4,50/bushel.[1][9]

  • Produção por região (safra 2024/25, Conab):
- Mato Grosso: 42,5 milhões t - Paraná: 14,8 milhões t - Mato Grosso do Sul: 12,2 milhões t - Goiás: 11,5 milhões t - Minas Gerais: 9,8 milhões t

Esses números fundamentam a atenção ao clima, pois uma redução de 5% na produtividade safrinha poderia cortar 6 milhões de toneladas, elevando preços domésticos em 15-20%, conforme modelos da USP.[1]

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Aspectos técnicos

O clima quente e seco afeta fases críticas do milho: germinação requer 25-30°C e umidade do solo acima de 60%, parâmetros comprometidos em solos arenosos do Cerrado. A Embrapa recomenda cultivares tolerantes à seca, como BM30K508 e DKB390, com produtividade 10% superior em condições de déficit hídrico. Monitoramento via satélite Somzzli/INPE mostra que em outubro de 2025, 40% das áreas potenciais no Mato Grosso apresentavam estresse térmico acima de 35°C.[1]

Parâmetros agrometeorológicos incluem o balanço hídrico, calculado como precipitação menos evapotranspiração (ETc ≈ 5-7 mm/dia em florescimento). Modelos como AquaCrop da FAO simulam perdas de 20-30% em rendimento com 30 dias de déficit. Comparativamente, em 2016, seca similar no Centro-Oeste derrubou produtividades de 110 para 85 sc/ha. Ferramentas como o app Climate FieldView integram dados de NDVI para alertas precoces, permitindo irrigação suplementar em pivôs centrais, adotada por 25% dos produtores em MT.[1]

Especificações de qualidade: grãos com umidade <14% e quebra <2% são ideais para exportação, mas calor excessivo eleva fusarium, reduzindo valor em R$ 5/saca. Análises do Cepea indicam que 70% dos vendedores retêm estoques aguardando chuvas, limitando oferta spot.[1][8]

  • Índices climáticos críticos:
- Temperatura máxima >32°C por 10 dias: perda 15% no enchimento de grãos - Déficit hídrico >100 mm: redução 25% produtividade - Umidade relativa <50%: aumento pragas como lagarta-do-cartucho

Aplicações práticas no campo

Produtores aplicam monitoramento diário via estações agroclimáticas da Somzzli, ajustando janelas de semeadura para 15 de outubro a 15 de novembro no Centro-Oeste, evitando florescimento em dezembro seco. Exemplo concreto: em Lucas do Rio Verde (MT), fazendas utilizam drones para mapeamento de umidade, aplicando 20 mm/semana via pivô em 30% da área, elevando rendimento em 12 sc/ha.[1]

Ferramentas como o sistema de alerta da Embrapa Milho e Sorgo integram previsões do Cptec/Inpe, recomendando adubação nitrogenada parcelada (50% na V6) para mitigar estresse. No Paraná, cooperativas como Coopavel promovem rotação soja-milho com plantio direto, reduzindo erosão em 40% e mantendo solo úmido. Casos reais: safra 2024 em MS viu produtores segurarem 20% da colheita para spot, lucrando R$ 10/saca extra com alta climática.[1][8]

Práticas incluem cobertura morta com palhada de aveia, retendo 15% mais umidade, e uso de bioestimulantes à base de aminoácidos, testados pela UEM com ganhos de 8% em seca. Para safrinha, espaçamento 0,45m x 0,70m otimiza ventilação, reduzindo doenças fúngicas em 25%.[1]

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Insights para o tomador de decisão

Riscos principais: Persistência de La Niña pode cortar 8-12 milhões de toneladas, elevando preços para R$ 80/saca e inflação de rações em 15%, impactando suinocultura e avicultura (70% do consumo interno). Oportunidades surgem em exportações, com paridade CBOT favorável acima de US$ 4,20/bushel.[1][9]

Análise crítica: estoques elevados da safra 2024/25 (15 milhões t, Conab) amortecem altas imediatas, mas demanda chinesa por 25 milhões t em 2026 pode esgotá-los. Recomendações: diversificar com contratos futuros na B3 (hedge a R$ 68/saca), investir em seguro agrícola (Proagro cobre 60% perdas climáticas) e semear precocemente em solos irrigados.[1]

Estratégias: 40% estoques para exportação, 30% spot doméstico, 30% fixação pré-colheita. Comparado a 2023, quando seca gerou alta de 50%, planejamento agora evita pânico. Tomadores devem monitorar USDA WASDE mensal e relatórios semanais Cepea para ajustes.[1][5]

Conclusão

O clima quente e seco impõe desafios à safra de milho 2025/26, mas com dados da Conab, Embrapa e Cepea, produtores podem mitigar riscos via tecnologia e planejamento. Perspectivas indicam preços firmes acima de R$ 65/saca se déficits hídricos se confirmarem, reforçando o Brasil como potência global, desde que adaptações sejam ágeis.

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