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Ministro do MDIC chama tarifas dos EUA de ilegais e abusivas e mira reação até dezembro

Márcio Elias Rosa volta a criticar o tarifaço dos EUA, fala em ilegalidade nas sobretaxas e busca amenizar impactos nas exportações brasileiras até dezembro.

21 de agosto de 2026 4 min de leitura
Ministro do MDIC chama tarifas dos EUA de ilegais e abusivas e mira reação até dezembro

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, reforçou em evento recente que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros são ilegais, indevidas e abusivas. Segundo ele, o governo trabalha para reduzir os danos do chamado "tarifaço" até dezembro, com negociação direta com Washington e possível uso da Lei de Reciprocidade e de mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que aconteceu

Em apresentação pública, Márcio Elias Rosa voltou a atacar as sobretaxas aplicadas pelos EUA a exportações brasileiras, destacando que as medidas violam compromissos assumidos em tratados internacionais dos quais os norte-americanos são signatários.[1][7][12]

O ministro afirmou que cerca de 18% a 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sob risco com o novo pacote de tarifas, que inclui alíquotas adicionais de 25% e 12,5% sobre diversos produtos industriais.[3][4][13] Setores como aço, alumínio, máquinas e equipamentos, plásticos, calçados, madeira e pescados estão entre os mais afetados.[3][4][9]

Rosa também indicou que o processo interno para aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA não deve ser concluído antes de dezembro. A estratégia imediata é tentar ampliar a lista de exceções e "aplacar minimamente" os impactos sobre empresas exportadoras enquanto as negociações avançam.[2][7][12]

Por que importa para o agro

Embora o foco inicial das tarifas seja a indústria, o agro brasileiro está diretamente exposto ao endurecimento da política comercial americana. Os EUA são um dos principais destinos de produtos como suco de laranja, carnes, açúcar, etanol, café e produtos florestais, e parte dessas cadeias já convive com barreiras tarifárias e sanitárias; um ambiente mais hostil tende a se espalhar para outros itens agrícolas.[9][10]

Com mais exportações brasileiras sob sobretaxas, empresas industriais perdem competitividade e podem reduzir investimentos em logística, armazenagem e tecnologia compartilhada com o campo. Além disso, qualquer escalada de represálias, via reciprocidade, pode atingir insumos importados cruciais para o agro, como fertilizantes, defensivos, máquinas, peças e tecnologia embarcada, pressionando custos do produtor rural.

Dados e contexto

Segundo declarações do MDIC e do governo federal:

IndicadorSituação atual
Participação das exportações afetadas**18% a 21%** das vendas brasileiras aos EUA sob risco com o novo tarifaço[3][4][10]
Tarifa adicionalAté **25%** sobre uma ampla lista de produtos industriais e alguns itens agroindustriais[3][9][13]
Exportações ameaçadasAproximadamente **R$ 55 bilhões** em vendas podem ser afetadas pelas novas medidas[14]
Mercadorias já tarifadas pela Seção 232Cerca de **25%** dos embarques brasileiros, incluindo aço, alumínio e autopeças[3][9]
Exportações impactadas por tarifas dos EUAEstimativa de **47,3%** das vendas brasileiras hoje atingidas por algum tipo de sobretaxa americana[10]

As decisões dos EUA se apoiam em investigações comerciais conduzidas pelo USTR, que acusam o Brasil de práticas desleais. O governo brasileiro contesta a tese, fala em medidas arbitrárias e pretende acionar a OMC. Paralelamente, avalia a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica para taxar produtos americanos em resposta às sobretaxas.[2][7][10][11]

O que observar daqui pra frente

Para o agro, o ponto central é acompanhar se o conflito tarifário evolui para um contencioso mais amplo que inclua produtos agrícolas, seja por iniciativa dos EUA, seja por uma resposta brasileira em setores sensíveis. Produtores e exportadores devem monitorar eventuais mudanças nas listas de exceção, no cronograma da reciprocidade e nas negociações na OMC, ajustando contratos, diversificando mercados e revisando estratégias de preço e logística diante de possíveis novos custos no comércio bilateral.

Fontes

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