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Onda de frio interrompe queda do milho e reacende alerta climático

Frente fria derruba temperaturas em áreas de milho safrinha e segura a queda dos preços ao colocar geada no radar do mercado.

29 de junho de 2026 4 min de leitura
Onda de frio interrompe queda do milho e reacende alerta climático

A chegada de uma onda de frio ao Centro-Sul do Brasil interrompeu a trajetória de queda dos preços do milho e colocou o risco de geada nas lavouras de safrinha no radar do mercado. O movimento é relevante porque pode reduzir a oferta do cereal em um ano de forte produção, alterando margens de produtores, indústrias e exportadores.

O que aconteceu

Uma massa de ar polar avançou pelo país, derrubando temperaturas principalmente em Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, regiões com grande concentração de milho safrinha em estágio reprodutivo.[4][7] Em áreas mais altas e suscetíveis, meteorologistas já apontam possibilidade de geadas, sobretudo em partes do Sul e do Sudeste.[4][5][7]

Com o frio mais intenso entre os dias 11 e 13, o mercado passou a reavaliar o cenário de oferta. Até então, a expectativa era de safra cheia e preços pressionados, mas o risco climático trouxe cautela às negociações e freou a sequência de quedas observada nas últimas semanas.[3][4][7]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de milho, a geada em lavouras de safrinha em enchimento de grão ou próximo à maturação pode provocar quebra de produtividade, afetando a renda em regiões que já vinham convivendo com preços mais baixos e custos elevados. O impacto é maior em áreas de plantio tardio, mais expostas ao frio intenso.[1][7]

Do lado do mercado, qualquer redução na oferta brasileira, hoje entre os principais exportadores globais de milho, tende a influenciar prêmios, basis e ritmo de embarques, com reflexo também na formação de preços internos para indústrias de ração, suinocultura e avicultura.[3] Em cenário de demanda firme, o clima passa a ser fator decisivo na precificação.

Dados e contexto

A onda de frio atual derrubou temperaturas no Sudeste, com registros entre 0°C e 5°C em áreas do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, e valores abaixo de 0°C em partes do Sul, condição típica para formação de geada.[4][7] Em estados como Mato Grosso, Rondônia, Acre, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os termômetros ficaram entre 10°C e 15°C nos momentos mais frios, com menor risco, mas ainda em atenção.[4]

Projeções recentes indicam safra brasileira de milho safrinha robusta, o que vinha pressionando cotações internas. Em Campinas (SP), referências de mercado giravam na faixa dos R$ 60–65 por saca em junho, refletindo ampla oferta.[4][8] Com o avanço da onda de frio, agentes passaram a considerar cenários de perdas localizadas, reduzindo a pressão baixista.

Indicador de milhoValor aproximado
Campinas (SP) – mercado interno**R$ 63–65/sc**[4][8]
Principais regiões de safrinhaSafra cheia, mas sob risco de geada[1][7]

Além do milho, o clima frio também vem sendo precificado em outros grãos. Analistas destacam que, em situações de risco climático, commodities como trigo e milho costumam reagir em cadeia, com movimentos de alta quando há ameaça à produção.[3][9]

Instituições como Conab e USDA ainda projetam produção elevada de milho no Brasil, mas o mercado acompanha se a onda de frio será suficiente para forçar revisões nas estimativas de produtividade em estados-chave.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos dias, o produtor deve acompanhar mapas de temperatura, possibilidade de geada e boletins regionais de clima para avaliar danos efetivos nas lavouras de safrinha. Para o mercado, o foco estará em eventuais ajustes de estimativas de produção, mudanças no ritmo de negócios e exportações, além da reação das cotações internas e externas caso o frio cause perdas relevantes.

Fontes

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