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Probabilidade de novo corte na Selic sobe para 92% e mercado ajusta apostas

Probabilidade de corte de 0,25 ponto na Selic sobe para 92%, reforçando expectativa de juros menores e custo financeiro mais baixo para o agro.

22 de maio de 2026 4 min de leitura
Probabilidade de novo corte na Selic sobe para 92% e mercado ajusta apostas

A probabilidade de o Banco Central promover mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic chegou a 92%, segundo precificação do mercado futuro de juros. O cenário consolida a expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, com impacto direto no custo do crédito, no câmbio e nas decisões de investimento do agronegócio.

O que aconteceu

As negociações no mercado de juros futuros passaram a indicar quase unanimidade quanto a mais um corte na taxa básica na próxima reunião do Copom. A leitura dos investidores é de que a inflação corrente segue comportada e as projeções de médio prazo continuam próximas da meta, abrindo espaço para nova redução.

Ao mesmo tempo, os dados de atividade mostram perda de ritmo da economia, o que reforça a pressão por juros menores para estimular consumo e investimento. A combinação de inflação sob controle e crescimento fraco levou à revisão rápida das apostas, elevando a probabilidade de corte para a casa dos 90%.

O debate agora se concentra menos em “se” haverá corte e mais em “até onde” o Banco Central pode ir sem reacender a inflação ou desancorar as expectativas. O mercado já começa a redesenhar a trajetória da Selic para os próximos trimestres, o que mexe com a precificação de crédito, câmbio e ativos ligados ao agro.

Por que importa para o agro

Juros mais baixos tendem a reduzir o custo total de financiamento, especialmente nas linhas livres e nas operações de capital de giro, máquinas e armazenagem. Mesmo o crédito rural subsidiado, que usa recursos controlados, é influenciado pela Selic nas taxas cobradas sobre a parcela de recursos livres e na remuneração dos bancos, afetando a oferta e as condições das linhas.

A trajetória da Selic também interfere no câmbio. Se o mercado entender que o ciclo de cortes será mais longo ou agressivo, o real pode se desvalorizar, dando suporte aos preços em reais de soja, milho, café e carnes. Por outro lado, um corte visto como prudente, alinhado às expectativas de inflação, tende a reduzir volatilidade e facilitar planejamento de custeio e comercialização.

Dados e contexto

O Boletim Focus do Banco Central, compilando previsões de mais de cem instituições, mostra expectativa mediana de Selic em torno de 9% a 9,5% ao ano no fim de 2024, contra patamares acima de 13% observados em 2022. A inflação medida pelo IPCA desacelerou em relação ao pico de 2021–2022, voltando para perto da meta, o que dá respaldo técnico ao ciclo de cortes.

A Conab e o USDA apontam safras robustas de grãos nos últimos anos, o que ajudou a conter pressões inflacionárias em alimentos. Esse comportamento de preços agrícolas no atacado contribuiu para aliviar o IPCA, somando-se ao efeito da desaceleração global e da normalização de cadeias de suprimento pós-pandemia.

Para o produtor, o ponto central é o custo efetivo total do financiamento. Nas linhas de custeio com recursos livres, as taxas muitas vezes acompanham a Selic com algum spread. Uma queda de 0,25 ponto, repetida por várias reuniões, reduz a despesa financeira em contratos de grande volume e prazos mais longos, como investimentos em infraestrutura, irrigação e armazenagem.

Um resumo do cenário de juros recentes:

IndicadorSituação recente aproximada

| Selic máxima ciclo recente | 13,75% a.a. (Copom, 2022) | | Faixa projetada Focus (2024) | 9%–9,5% a.a. | | Probabilidade corte próximo Copom | 92% (mercado futuro) |

Com a queda da Selic, o Tesouro Nacional também passa a emitir dívida a custos mais baixos, o que tende a aliviar a pressão sobre o orçamento e abre espaço, no médio prazo, para políticas de crédito rural mais previsíveis. Ao mesmo tempo, juros menores estimulam investimento em agroindústria, logística e armazenagem, pontos críticos para escoar supersafras.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar as sinalizações do Banco Central sobre o fim do ciclo de cortes, a evolução das expectativas de inflação e o comportamento do câmbio. Esses fatores vão definir se o momento é de alongar dívidas, travar taxas prefixadas, antecipar investimentos ou segurar caixa. A leitura fina do movimento da Selic, combinada com preços futuros de commodities e custos de insumos, será decisiva para proteger margens na próxima safra.

Fontes

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