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Queda do preço do cacau abre espaço para reduzir custo do chocolate

Após disparada histórica, cotações do cacau recuam e indústria começa a retomar uso da matéria-prima, com potencial de queda de preços ao consumidor.

24 de maio de 2026 4 min de leitura
Queda do preço do cacau abre espaço para reduzir custo do chocolate

Após meses de forte alta, o preço internacional do cacau começou a recuar e já alivia parcialmente a pressão sobre a indústria de chocolates e derivados. A expectativa é de que receitas que vinham usando menos cacau sejam ajustadas e que, nas próximas semanas, parte dessa queda chegue às gôndolas, abrindo espaço para produtos um pouco mais baratos ou com melhor qualidade de formulação.

O que aconteceu

Depois de bater recordes históricos em 2024 e início de 2025, as cotações do cacau na bolsa de Nova York começaram a corrigir. O movimento ocorre com a melhora das expectativas para a oferta global, especialmente na África Ocidental, e com a demanda ajustando-se ao patamar de preços mais altos dos últimos meses.

A indústria de chocolates vinha reduzindo o percentual de cacau nas receitas e aumentando o uso de gorduras vegetais e outros substitutos para segurar custos. Com o recuo recente dos preços, fabricantes já sinalizam a possibilidade de voltar a fórmulas mais ricas em cacau e rever reajustes planejados.

No varejo, a queda não é imediata. Estoques de matéria-prima foram comprados a valores elevados e ainda estão sendo processados. A tendência é que, conforme novas compras aconteçam com preços menores, marcas comecem a repassar esse alívio gradualmente ao consumidor, em especial em barras, achocolatados e biscoitos recheados.

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Por que importa para o agro

Para o produtor de cacau, o movimento é de atenção dupla. O recuo afasta o cenário extremo de especulação e volatilidade, mas reduz margens que haviam subido com a disparada recente. Em regiões como Bahia e Pará, onde o cacau é forte gerador de renda, a gestão de custos e a produtividade voltam ao centro da estratégia.

Já para a indústria agroalimentar, a queda devolve previsibilidade à formação de preços e à negociação de contratos de fornecimento. Empresas que haviam reformulado produtos para usar menos cacau podem reequilibrar custo e qualidade, o que tende a sustentar a demanda pela amêndoa brasileira e apoiar a cadeia de cacau fino e de origem.

Dados e contexto

Nos últimos dois anos, a oferta global de cacau foi pressionada por:

  • Doenças nos cacaueiros na Costa do Marfim e em Gana, líderes mundiais de produção.
  • Problemas climáticos ligados a El Niño, com excesso de chuvas e calor.
  • Baixo investimento em renovação de lavouras envelhecidas.
O resultado foi um choque de preços nas bolsas internacionais. Segundo dados de mercado compilados por agências internacionais:
IndicadorSituação recente*

| Preço em NY (pico 2024/25) | Alta superior a 200% frente à média histórica | | Produção global 2023/24 (ICCO) | Déficit em relação ao consumo | | Participação África Ocidental | Cerca de 70% da oferta mundial |

*Valores aproximados, com base em relatórios da International Cocoa Organization (ICCO) e cotações de bolsa.

No Brasil, dados da Conab e da CNA indicam expansão gradual da produção, com ganhos de produtividade e avanço de sistemas de cacau em cabruca e agroflorestas na Bahia, Pará e Amazônia. Ainda assim, o país responde por fatia pequena do mercado mundial, o que torna a formação de preço muito dependente do cenário externo.

Para o consumidor, o período de preços recordes levou a:

  • Redução do peso de barras e bombons mantendo o preço final.
  • Reformulação de chocolates, com menor teor de cacau.
  • Aumento expressivo de achocolatados e produtos infantis.
Com a correção das cotações, a tendência é de estabilização de preços ao longo de 2026, com espaço limitado para novas altas se a safra global confirmar recuperação.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e indústria devem acompanhar o comportamento das safras na África Ocidental, os relatórios da ICCO e de órgãos como USDA e Conab, além da evolução do câmbio. Se a oferta se normalizar e o dólar não disparar, há margem para contratos mais estáveis e produtos finais menos pressionados. Em paralelo, investimentos em produtividade, manejo fitossanitário e cacau de origem podem ser decisivos para manter renda no campo mesmo com preços internacionais em patamar mais moderado.

Fontes

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