Restrição de diesel preocupa produtores do Rio Grande do Sul antes do plantio
Agricultores gaúchos relatam limites e atrasos na entrega de diesel, enquanto a ANP afirma que não há risco de desabastecimento no país.
Agricultores do Rio Grande do Sul relatam dificuldades para comprar diesel às vésperas do plantio da safra de verão. A redução dos estoques e os atrasos nas entregas aumentam o risco de paradas nas operações de campo. A ANP afirma que não há risco de desabastecimento no estado nem no restante do país.
O que aconteceu
Produtores gaúchos informaram que passaram a enfrentar limites de volume e demora na entrega do combustível. Em Santa Cruz do Sul, o agricultor Arcênio Dupont afirmou que ficou três semanas com dificuldade para abastecer as máquinas e conseguiu comprar apenas mil litros.
A Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis no estado, relaciona a redução dos estoques à pressão provocada pelos conflitos no Oriente Médio sobre o mercado internacional. O aumento dos preços e a necessidade de reorganizar compras e entregas afetaram a disponibilidade regional.
A situação também foi registrada em municípios como Arroio do Tigre, Cruz Alta, Getúlio Vargas, Manoel Viana, Palmares do Sul, Capivari do Sul, Pedras Altas, Ronda Alta, Santa Bárbara do Sul e Uruguaiana. Há relatos de entregas que chegam a levar 15 dias.
Por que importa para o agro
O diesel é essencial para tratores, colheitadeiras, caminhões e geradores. Qualquer interrupção durante o preparo do solo ou a semeadura pode atrasar o calendário agrícola, elevar o custo operacional e concentrar a demanda por máquinas e serviços terceirizados.
O Rio Grande do Sul produz arroz, soja, milho e outros grãos em uma janela de plantio pressionada pelo clima. Se as restrições persistirem, o produtor pode precisar reduzir o ritmo das operações, alterar a programação de áreas ou pagar mais pelo combustível e pelo transporte.
Dados e contexto
- Um produtor de Santa Cruz do Sul relatou ter conseguido apenas 1.000 litros de diesel após três semanas de dificuldade.
- Segundo relatos do setor, o preço do combustível em algumas regiões subiu cerca de 40% desde o início do conflito citado na reportagem.
- A Farsul alertou que o problema pode afetar a área cultivada e a produtividade caso avance sobre a fase mais intensa do plantio.
- A ANP reforçou o monitoramento dos estoques e da distribuição e declarou que o cenário não caracteriza desabastecimento.
- A Petrobras informou, em manifestação anterior sobre o estado, que as entregas de diesel ocorriam dentro do volume programado.
O que observar daqui para frente
Produtores devem acompanhar prazos de entrega, confirmar volumes com antecedência e registrar eventuais restrições junto às entidades do setor e à ANP. O mercado precisa observar estoques regionais, preços, fluxo de importações e a capacidade de reposição dos distribuidores. A normalização do abastecimento será decisiva para evitar atrasos no plantio da safra de verão.
Fontes
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