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Setor de pescados dos EUA entra em campo para defender produto brasileiro

Maior associação de pescados dos EUA vai à audiência em Washington defender tilápia e outros produtos do Brasil contra tarifa extra proposta por Trump.

19 de junho de 2026 4 min de leitura
Setor de pescados dos EUA entra em campo para defender produto brasileiro

A maior associação da indústria de pescados dos Estados Unidos decidiu defender publicamente o produto brasileiro em audiência oficial em Washington. A entidade atuará contra a proposta de nova tarifa sobre importações do Brasil, em meio ao tarifaço de 50% anunciado pelo governo Donald Trump, que já preocupa frigoríficos, produtores de tilápia e a cadeia exportadora nacional.[1][4]

O que aconteceu

O governo Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto, medida que atinge em cheio o setor de pescados.[1][4] A indústria brasileira já suspendeu embarques e relata cargas paradas em portos, à espera de definição sobre o futuro das vendas ao mercado norte-americano.[2]

Em paralelo, o representante comercial dos EUA (USTR) marcou para 6 de julho uma audiência pública sobre uma tarifa adicional de 25% para uma lista de produtos brasileiros.[6] Nesse processo, entidades norte-americanas podem se manifestar a favor ou contra a medida, inclusive pedindo exceções por produto.

A maior associação de pescados dos EUA decidiu usar esse espaço para defender o pescado brasileiro, argumentando que o suprimento importado é relevante para o abastecimento doméstico e para a indústria local de processamento. A defesa inclui tilápia, principal peixe de cultivo exportado pelo Brasil, além de outros itens da aquicultura e da pesca marinha.[1]

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Por que importa para o agro

O apoio explícito de compradores e processadores norte-americanos aumenta as chances de o pescado brasileiro ser excluído ou aliviado em futuras listas de tarifas adicionais. Para o produtor, isso significa manter acesso a um dos mercados mais rentáveis do mundo, crucial para diluir custos e sustentar investimentos em tecnologia, genética e nutrição na piscicultura.

Se a tarifa de 50% for mantida integralmente, a competitividade brasileira cai de forma imediata frente a outros exportadores. A margem das indústrias de processamento e dos produtores de tilápia e outros peixes pode ser comprimida, levando à redução de abates, redirecionamento de volumes ao mercado interno e queda de preços na origem, com impacto direto em regiões produtoras.

Dados e contexto

O tarifaço anunciado por Trump prevê:

  • Tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA a partir de 1º de agosto.[4]
  • Setor de pescados incluído sem exceções relevantes até agora.[3][5]
  • Primeiros efeitos: suspensão de cerca de 1,5 tonelada de envios e mais de 100 toneladas de peixe paradas em portos brasileiros, segundo relato do setor.[2]
Em paralelo, corre o processo no USTR para tarifa adicional:
  • Proposta de sobretaxa de 25% para determinados produtos brasileiros.[6]
  • Audiência pública marcada para 6 de julho de 2026.[6]
  • Prazo para pedidos de participação até 22 de junho e envio de comentários escritos até 1º de julho.[6]
O governo brasileiro, por sua vez, criou um Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais para coordenar a resposta da política comercial e ouvir os setores impactados.[4] O objetivo é buscar negociações bilaterais e preparar eventuais contramedidas com base na Lei de Reciprocidade Econômica.[4]

Há ainda o risco jurídico para Washington. Medidas tarifárias amplas e unilaterais já foram contestadas na Justiça norte-americana e em instâncias internacionais, inclusive em casos envolvendo produtos pesqueiros, o que pode abrir caminho para questionamentos se a tarifa for mantida por longo período.[7][8]

O que observar daqui pra frente

O produtor e a indústria devem acompanhar três frentes: o desfecho da audiência de 6 de julho, o avanço das negociações entre Brasília e Washington e a movimentação de outros grandes importadores de pescado. Se o lobby da indústria norte-americana for bem-sucedido, o pescado brasileiro pode garantir uma janela estratégica num cenário de tarifas altas. Se falhar, o setor terá de acelerar a diversificação de mercados, renegociar contratos e ajustar o planejamento de produção para evitar excesso de oferta e pressão sobre a rentabilidade na piscicultura e na pesca industrial.

Fontes

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