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Soja, algodão e feijão ganham área; trigo, arroz e milho de verão recuam

Consultor vê avanço de soja, algodão e feijão na safra 2024/25, enquanto trigo, arroz e milho de verão devem perder espaço na disputa por área no Brasil.

19 de julho de 2026 4 min de leitura
Soja, algodão e feijão ganham área; trigo, arroz e milho de verão recuam

A safra 2024/25 deve consolidar soja, algodão e feijão como culturas em expansão de área no Brasil, enquanto trigo, arroz e milho de verão tendem a perder espaço na disputa por terra agrícola. A mudança reflete preço, rentabilidade e demanda interna e externa, com impacto direto no planejamento de plantio, oferta de alimentos e equilíbrio das cadeias de grãos e fibras.

O que aconteceu

Consultores de mercado apontam que produtores estão direcionando mais área para soja e algodão, mantendo o feijão em expansão pontual em regiões específicas. A decisão vem de margens mais atrativas e maior liquidez, em comparação com culturas como trigo, arroz e milho de verão, que enfrentam pressão de custos e concorrência de outras safras.

Na prática, o milho de verão perde espaço para a soja em várias regiões, especialmente onde o produtor consegue encaixar o milho safrinha depois da oleaginosa com boa janela climática. O trigo e o arroz, por sua vez, ficam restritos a ambientes mais tradicionais dessas culturas, mas com área menor frente ao avanço de grãos voltados à exportação.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o movimento de área reforça a necessidade de olhar rentabilidade por hectare e o risco de concentração em poucas culturas. Mais soja e algodão significam maior exposição à volatilidade internacional e à logística de exportação, enquanto a redução de arroz, feijão e trigo tende a pressionar a oferta interna de alimentos básicos se o consumo se mantiver firme.

Para a cadeia do agro, o avanço da soja e do algodão fortalece o papel do Brasil como fornecedor global de proteína vegetal e fibra, mas exige atenção a armazenamento, transporte e capacidade industrial. Ao mesmo tempo, menos milho de verão, arroz e trigo podem mudar o equilíbrio de preços na indústria de rações, alimentos e moagem, abrindo espaço para importações em momentos de aperto de oferta.

Dados e contexto

A Conab projeta para a safra 2025/26 uma produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos, com a soja como principal destaque, estimada em 180,3 milhões de toneladas.[3] O milho, somando as três safras, deve alcançar 140,5 milhões de toneladas, mantendo-se como segundo principal produto.[3]

Estudos do MAPA indicam tendência de aumento da área de soja e milho e redução das áreas de arroz e feijão nos próximos anos.[5] A projeção mostra que a área de soja pode crescer cerca de 27,5% em dez anos, enquanto o arroz tende a encolher em torno de 65% e o feijão também perde espaço, acompanhando o ajuste de portfólio dos produtores.[5]

O movimento reforça uma dinâmica já observada em levantamentos regionais: expansão das culturas mais ligadas à exportação e recuo de parte das lavouras de grãos voltadas ao mercado interno. Em paralelo, a produção de algodão em pluma é estimada pela Conab em cerca de 4 milhões de toneladas para 2025/26, mantendo o Brasil entre os principais produtores mundiais.[3]

CulturaTendência de áreaFoco principal

| Soja | Expansão | Exportação e indústria de óleo/proteína | | Algodão | Expansão | Fibra para indústria têxtil | | Feijão | Estável/leve alta | Consumo interno | | Milho de verão | Queda | Concorrência com soja e milho safrinha | | Arroz | Queda | Mercado interno regional | | Trigo | Queda | Moagem e panificação |

O que observar daqui pra frente

Nos próximos ciclos, o produtor deve acompanhar de perto preços futuros, custos de produção e política de estoques públicos para arroz, feijão e trigo. A maior concentração em soja e algodão pode gerar ganhos de escala, mas aumenta a dependência de mercados externos e de crédito robusto. Há oportunidade em nichos de arroz, feijão e trigo com contratos diferenciados e demanda regional, mas o risco é de faltar estímulo para manter área suficiente desses alimentos, abrindo espaço para alta de preços ao consumidor.

Fontes

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