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Soja pode ganhar fôlego no 2º semestre com El Niño no radar

Analistas veem espaço para recuperação dos preços da soja no 2º semestre com risco de El Niño e ajuste na oferta global.

14 de junho de 2026 3 min de leitura
Soja pode ganhar fôlego no 2º semestre com El Niño no radar

O mercado de soja entra no 2º semestre com expectativa de maior volatilidade e possível recuperação de preços, puxado pelo risco de El Niño, ajustes na oferta da América do Sul e incertezas sobre a safra dos EUA.[6] Para o produtor, o cenário abre espaço para travar margens em janelas de alta e reforça a importância de gestão de risco.

O que aconteceu

Analistas ouvidos em canal especializado em agronegócio destacam que a soja pode voltar a subir na segunda metade do ano se o El Niño se confirmar com força, afetando regiões produtoras importantes.[6] O mercado já começa a precificar possíveis quebras ou perdas de produtividade em áreas sensíveis ao fenômeno climático.

O foco está dividido entre o desempenho da safra norte-americana e o ajuste nas projeções de produção na América do Sul, especialmente Brasil e Argentina.[6] Qualquer frustração mais relevante na oferta global tende a dar suporte aos contratos em Chicago e aos prêmios de exportação.

Por que importa para o agro

Para o produtor brasileiro, uma retomada dos preços no 2º semestre pode melhorar a relação de troca com insumos, hoje pressionada por custos ainda elevados em fertilizantes e defensivos. O momento favorece quem ainda tem soja para vender e quem planeja travar parte da próxima safra em patamares mais atrativos.

Ao mesmo tempo, o risco climático aumenta a responsabilidade no manejo e na gestão financeira. A combinação de câmbio volátil, prêmio oscilando nos portos e possíveis impactos do El Niño torna indispensável o uso de ferramentas de proteção de preços, como barter, contratos a termo e operações na bolsa.

Dados e contexto

Em 2025, a Conab estimou a produção brasileira de soja acima de 145 milhões de toneladas, mantendo o país como maior produtor e exportador global.[6] Já o USDA aponta que o Brasil responde por mais de 50% das exportações mundiais em algumas safras recentes, em função da demanda firme da China.

Fenômenos como El Niño e La Niña historicamente alteram a distribuição de chuvas na América do Sul, afetando plantio, enchimento de grãos e colheita. Em anos de El Niño mais intenso, parte das áreas de soja pode sofrer com excesso ou falta de chuva em momentos críticos da cultura, o que aumenta a incerteza sobre a produtividade.

Fator de mercadoPossível efeito na soja
El Niño mais forteRisco de quebra regional de safra e suporte aos preços
Safra cheia nos EUAPressão baixista em Chicago
Demanda chinesa firmeSustenta prêmios e exportações do Brasil
Câmbio mais alto (R$/US$)Melhora preço em reais, mesmo com recuo em dólar

Relatórios de Conab e USDA reforçam que o equilíbrio entre oferta recorde e demanda ainda robusta deixa o mercado sensível a qualquer revisão de safra. Pequenos cortes em produção ou revisões de consumo podem gerar movimentos rápidos nos preços.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar de perto os boletins climáticos sobre o El Niño, os relatórios mensais de oferta e demanda de Conab e USDA e o avanço da safra norte-americana. Janelas de alta no 2º semestre podem ser oportunidade para fixar parte da produção futura, combinando vendas com proteção de custos e atenção ao câmbio para garantir margens em um cenário de maior volatilidade.

Fontes

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