Super El Niño deve mexer com produção e preços na América Latina
Fenômeno climático pode alterar chuvas, elevar riscos de seca e inundação e pressionar a produção de alimentos na principal região exportadora do mundo.

A América Latina se prepara para um possível El Niño muito forte, com risco de chuva excessiva em algumas áreas e seca em outras. O fenômeno importa porque a região é a principal exportadora de alimentos do mundo e qualquer ruptura afeta safra, logística, energia e preços.
O que aconteceu
Segundo a cobertura do g1, cientistas e organismos meteorológicos veem alta chance de um episódio intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027. O cenário preocupa porque o padrão do El Niño costuma deslocar chuvas, reduzir a regularidade do regime hídrico e ampliar extremos climáticos na América Latina.[1][11]
Na prática, o impacto não será igual para todos os países. O sul do continente tende a receber mais chuva, enquanto áreas do norte podem enfrentar seca, com efeitos diretos sobre lavouras, disponibilidade de água e produção de energia.[1][11]
Em países como Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e norte do Brasil, o risco maior é de estiagem e perdas agrícolas. Já no sul do Brasil, Uruguai, Paraguai, norte da Argentina e Chile, o excesso de chuva pode beneficiar algumas culturas, mas também abrir espaço para enchentes e perdas por excesso de umidade.[11]
Por que importa para o agro
Para o produtor, o efeito mais imediato é a instabilidade. O El Niño pode mudar calendário de plantio, aumentar custo de manejo e elevar o risco de pragas, doenças, alagamentos e perdas de produtividade.[9][11]
Para o mercado, a consequência é dupla. Em algumas regiões, a chuva pode ampliar a oferta de grãos; em outras, a seca pode reduzir a produção. Esse descompasso pressiona preços, altera o fluxo de exportações e pode mexer com margens em cadeias como soja, milho, açúcar e proteínas.[6][8]
Dados e contexto
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Probabilidade estimada | **81%** de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, segundo o CPC/NOAA citado pelo g1[11] |
| Região mais vulnerável | América Latina e Caribe, com destaque para impactos desiguais entre sul e norte do continente[1][12] |
| Efeito econômico | Risco de alta em alimentos, pressão sobre energia e possível desaceleração do crescimento em países da região[9][14] |
| Impacto social | A ONU alertou para possível aumento da insegurança alimentar na região, com mais de **16 milhões** de pessoas adicionais afetadas na América Latina e no Caribe[5][12] |
O debate também chega ao Brasil por outra via: inflação. Analistas ouvidos pela imprensa e projeções citadas em reportagens recentes apontam risco de alta nos alimentos, com efeito sobre itens mais sensíveis ao clima e sobre a conta de energia.[4][14][15]
O que observar daqui pra frente
O ponto central é acompanhar como o fenômeno vai se confirmar nas próximas previsões sazonais. Se o episódio vier forte, produtores devem revisar janela de plantio, estratégia de irrigação, manejo de solo e proteção contra excesso de chuva ou seca. O mercado, por sua vez, tende a reagir rápido a qualquer revisão de safra, especialmente em culturas exportadoras e alimentos básicos.[3][6][11]
Fontes
- G1 – Como o super El Niño pode afetar a América Latina, principal região exportadora de alimentos do mundo
- G1 – Os graves efeitos do 'Super El Niño' na América Latina previstos pelos cientistas
- G1 – Como estoques recordes e avanço do agro brasileiro podem reduzir impacto do 'super El Niño' no mundo
- O Globo – El Niño pode deixar 49 milhões de pessoas em fome aguda
- Bloomberg Línea – Do Brasil ao Peru: como o El Niño ameaça a agricultura e a economia da América Latina
- g1.globo.com
- globorural.globo.com
- g1.globo.com
- infomoney.com.br
- forbes.com.br
- ihu.unisinos.br
- oglobo.globo.com
- veja.abril.com.br
- mais.opovo.com.br
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