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Tarifaço dos EUA deve atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro

CNA estima que tarifa extra de 25% dos EUA vai afetar 36,5% das vendas do agro brasileiro para o país, com impacto relevante em produtos como madeira, arroz e açúcar.

20 de julho de 2026 4 min de leitura
Tarifaço dos EUA deve atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão alcançadas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo americano, válida a partir de 22 de julho. A medida altera preços, margens e competitividade em um dos principais mercados do agro, principalmente para segmentos ainda fora da lista de exceções.

O que aconteceu

O governo dos Estados Unidos decidiu aplicar tarifa extra de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados, atingindo também o agronegócio brasileiro.[1] A CNA analisou a nova lista e estima que mais de um terço do valor exportado pelo setor ao mercado americano seguirá sujeito ao aumento de imposto.[1]

Segundo a entidade, 63,5% do valor exportado pelo agro brasileiro aos EUA ficará fora da tarifa adicional, graças à inclusão de novos itens na lista de exceções.[1][2] Ainda assim, uma parcela relevante das vendas continuará impactada, principalmente de produtos com menor margem ou forte concorrência internacional.

Mesmo após a ampliação das exceções, itens como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa extra.[1] Para esses segmentos, o encarecimento da exportação pode reduzir volumes enviados e redirecionar negócios para outros destinos.

Por que importa para o agro

A cobrança adicional de 25% modifica a conta de exportação para empresas e produtores que dependem do mercado americano. Com preços finais mais altos, o risco é perda de competitividade frente a fornecedores de países não afetados ou com melhor acesso preferencial.[1][3]

Para cadeias como madeira e açúcar, o tarifaço pode pressionar indústrias exportadoras, reduzir demanda por matéria-prima e afetar renda de produtores. A necessidade de renegociação de contratos, revisão de preços e busca de mercados alternativos tende a ser imediata, sobretudo em operações com baixo espaço para absorver o novo custo.

Dados e contexto

A CNA aponta que:

  • 36,5% das exportações do agro brasileiro aos EUA seguirão sob tarifa extra de 25%.[1]
  • 63,5% do valor exportado ficará isento, após ampliação da lista de exceções.[1][2]
  • A lista de exceções, que antes abrangia cerca de 100 itens, foi ampliada para mais de 2.100 produtos.[2]
Em cenário próximo, a CNA já estimou que o tarifaço poderia significar perda de até US$ 2,7 bilhões em 2026 para o agro brasileiro, considerando possíveis tarifas adicionais de até 40% sobre parte das exportações.[3] Em outro levantamento, foi calculado que 45% das vendas do agro aos EUA continuaram sujeitas a tarifa extra em período anterior, mostrando que o problema é recorrente.[5]

Os EUA estão entre os principais destinos do agronegócio brasileiro, com destaque para carnes, café, produtos florestais, açúcar e itens industrializados de origem agropecuária. Mudanças na política tarifária americana afetam diretamente a estratégia de comércio exterior do setor, exigindo ajustes em preços, logística e mix de mercados.[1][3]

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar possíveis novas revisões da lista de exceções, eventuais negociações bilaterais e a reação dos compradores americanos. A atenção deve se concentrar em contratos de exportação com vencimento próximo, na viabilidade de redirecionar cargas a outros mercados e na capacidade de repassar parte do custo ao preço final sem perder espaço para concorrentes.

Fontes

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