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Yellen diz que tarifa dos EUA contra o Brasil foi decisão pessoal de Trump

Janet Yellen afirma que tarifa extra dos EUA contra o Brasil refletiu visão pessoal de Donald Trump, e não política econômica oficial, elevando incertezas para o agro.

23 de julho de 2026 4 min de leitura
Yellen diz que tarifa dos EUA contra o Brasil foi decisão pessoal de Trump

A ex-secretária do Tesouro dos EUA Janet Yellen afirmou que a tarifa extra imposta contra o Brasil durante o governo Donald Trump refletiu visão pessoal do ex-presidente, e não uma política econômica estruturada de Washington.[1] A declaração reforça que o país foi alvo de uma medida com forte componente político, elevando o custo de acesso ao mercado americano e a percepção de risco para exportadores brasileiros.

O que aconteceu

Yellen declarou que as tarifas contra o Brasil foram guiadas pelas convicções de longa data de Trump, e não por um diagnóstico técnico sobre comércio ou competitividade.[1] Segundo ela, a decisão não passou pelo crivo típico de análises econômicas usadas em políticas comerciais dos EUA.

A fala ocorre em meio ao debate sobre o chamado “tarifaço” de Trump, que elevou de forma significativa as tarifas médias aplicadas ao Brasil, colocando o país entre os mais penalizados na América do Sul.[3] Na prática, a medida significou sobretaxas amplas sobre produtos brasileiros, somando-se a tarifas já altas sobre setores como aço e alumínio.[8]

Além do componente econômico, analistas destacam que Trump enxergou o Brasil como palco de uma disputa política, aproximando o caso de sua própria narrativa interna e tratando a relação como uma questão pessoal.[2][3] Isso ajuda a explicar por que o Brasil passou a ter uma tarifa média superior à de vizinhos com estruturas produtivas semelhantes.[3]

Por que importa para o agro

Para o agronegócio brasileiro, tarifas extras significam perda de competitividade imediata em um dos mercados mais relevantes do mundo. Com custos maiores na entrada dos EUA, produtos brasileiros disputam espaço com concorrentes de países que não sofreram o mesmo nível de sobretaxa, pressionando margens de exportadores de carnes, açúcar, etanol, café e outros itens.

O caráter político destacado por Yellen aumenta a instabilidade regulatória: decisões tarifárias podem mudar rapidamente conforme o clima político em Washington e Brasília. Isso dificulta planejamento de longo prazo de cooperativas, tradings e agroindústrias que dependem do mercado americano para escoar produção, negociar contratos futuros e definir investimentos em capacidade de processamento.

Dados e contexto

IndicadorSituação para o Brasil
Tarifa média dos EUA na América do SulBrasil fica com a **maior tarifa média** da região.[3]

| Tarifa adicional global de Trump | Anúncio de tarifa extra de 10% sobre produtos brasileiros, somada às tarifas já existentes.[8] | | Aço e alumínio | Mantêm alíquotas em torno de 50%, mesmo após revisão de outras tarifas.[8][10] |

A decisão da Suprema Corte dos EUA limitou parte do “tarifaço” aplicado com base em legislação emergencial, derrubando algumas sobretaxas.[5][8] Em resposta, Trump buscou outros instrumentos legais para manter pressão tarifária, inclusive sobre o Brasil.[8]

Com isso, o país enfrenta uma combinação de tarifas setoriais altas (especialmente em aço e alumínio) e adicionais temporários sobre produtos em geral.[8] Para cadeias do agro, o impacto vem tanto pelo custo direto nas exportações como pelos efeitos indiretos sobre insumos industriais, logística e taxa de câmbio.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar três pontos: eventual revisão das tarifas pelo governo e Congresso dos EUA, possíveis negociações bilaterais para reduzir barreiras e a postura futura da Casa Branca em relação ao Brasil. Mudanças de governo em Washington podem redefinir o peso de decisões políticas pessoais como a descrita por Yellen, abrindo espaço para redução de tarifas ou, ao contrário, novas medidas de pressão que afetem preços, acesso a mercado e planejamento de investimentos.

Fontes

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